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Tomás de Aquino


Filósofo e teólogo italiano. A sua obra marca uma etapa fundamental na escolástica. É ele que prossegue e conclui o trabalho de Alberto Magno. Monge dominicano ficou conhecido como o «doutor angélico». Em 1879, as suas obras foram reconhecidas como sendo a base da teologia católica. A filosofia de Tomás de Aquino é conhecida como tomismo.

Nasceu em Roccasecca, próximo de Cassino, no reino de Nápoles, a sul de Itália, na família dos condes de Aquino. Iniciou a sua educação na abadia de Montecassino. Em 1243, em Nápoles, ingressa na ordem dos dominicanos. Estuda pouco depois com o erudito alemão Alberto Magno em Paris(1243-1248) e em Colónia(1248-1252). Volta a Paris, em 1252, iniciando os seus comentários da Bíblia. Começa a ensinar nesta cidade, sendo nomeado mestre da Universidade em 1257, dois anos depois regressa a Itália. Em 1265 é encarregado de de organizar os estudos da Ordem dos Dominicanos em Roma. Em 1269 volta a Paris ocupando a sua cátedra de mestre de teologia. Em 1272 voltará ainda a Itália para ensinar na Universidade de Nápoles. Morreu em 1274 quando se dirigia ao Concílio de leão.

Obras

Exposição sobre o Credo; O Ente e a Essência(1248-1252); Compêndio de Teologia (1258-1259); Suma Contra os Gentios; Comentário às Sentenças; Suma Teológica; etc.

Principais Domínios de Investigação
A obra de Tomás de Aquino é imensa, destacando-se todavia as Sumulas. Na Suma Contra os Gentios, defende a compatibilidade entre a razão e a fé. Procurou conciliar a filosofia aristotélica com os princípios do cristianismo, em oposição à tendência que predominava na época e que adoptava um cristianismo de inspiração neoplatónica. Na Suma Teológica trata da natureza de Deus, da moralidade e da missão de Jesus. Nestas e outra obras deu corpo à visão cristã do mundo que foi ensinada nas universidades até aos meados do século XVII, e nas quais se incluíam as ideias científicas de Aristóteles.

Tomás de Aquino trabalhou as obras de Aristóteles a partir de novas traduções latinas produzidas pelo dominicano Guilherme de Moerbeke (1215-1286). A influência de aristóteles é tão notória na sua filosofia que esta é também designada como aristotelismo cristão. Para além de Aristóteles tomou como fonte inspiração os trabalhos de Santo Agostinho, Avicena, Averróis e dos neoplatónicos.
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Antístenes

Antístenes (440 - 365 a.C.)

Fundador da Escola Cínica, Antístenes foi discípulo de Sócrates e destacou das teorias deste em especial as práticas morais como o autodomínio a auto-suficiência a força de ânimo e a capacidade de superar as dificuldades como o cansaço.

Para ele não existe uma simples definição das coisas, o que acontece é que nós conhecemos as coisas através da nossa percepção e vamos descrever essas coisas através das relações de semelhança que elas tem com outras coisas. Descrevemos os traços comuns entre as coisas através de analogias. Para podermos fazer uma descrição mais complexa das coisas o que fazemos é descrever cada um dos elementos de que são constituídas.

Antístenes levou ao extremo uma das idéias de Sócrates que é a da auto-suficiência. O homem deve bastar-se a si mesmo, isso é, não depender dos outros para nada ou para o mínimo possível, as pessoas em sua auto-suficiência precisam não ter necessidade de nada de que venha de outras pessoas.

Além da auto-suficiência Antístenes radicaliza também o conceito de autodomínio proposto por Sócrates. O ser humano tem que dominar além dos prazeres as dores. Antístenes vê o prazer como um mal e dele temos que nos separar sempre e de qualquer forma. A busca pelo prazer e o prazer em si tira das pessoas o controle que elas tem delas mesmas. O homem deve portanto combater os impulsos que o levem a buscar prazer e se separar das riquezas que o acomodam a uma vida fácil.

A glória e a fama são para Antístenes ilusões criadas pela sociedade e que destroem a liberdade das pessoas fazendo com que se tornem escravas dessas ilusões. Para ele a pessoa sábia deve viver segundo as regras da virtude e não segundo as regras da sociedade. O homem para libertar-se dessas ilusões deve afastar-se das relações sociais e buscar em si mesmo algo que lhe baste, a virtude.

É creditada também a Antístenes uma grande valorização do trabalho o que em sua época vai contra o senso comum de que o trabalho é algo negativo e que inferioriza o homem. O homem digno encontra sua dignidade no trabalho que está diretamente ligado a busca da virtude. O modelo era Hércules que em seus trabalhos superou grandes fadigas e venceu monstros tornando-se símbolo da sabedoria cínica por superar os prazeres e vencer as dores demonstrando sua auto-suficiência e a força do seu ânimo.

O fim do homem é a felicidade e o homem alcança a felicidade vivendo na virtude que é suficiente em si mesma. A virtude é o bem maior e os prazeres só fazem afastar os homens da virtude fazendo com que se distanciem da felicidade.

Sentenças

- Observe o teu inimigo porque é ele que primeiro vê teus defeitos.
- Eu prefiro enlouquecer a sentir prazer.
- Os corvos devoram os mortos e os aduladores devoram os vivos.
- As paixões têm causas mas não tem princípios.
- Não imagine que os outros tem tanto desejo de te escutar como você tem de falar.
- A gratidão é a memória do coração.
- Devemos converter nossa alma em uma fortaleza inexpugnável.
- A virtude é mesquinha nas palavras; o vício fala sem parar.
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Anaxímenes de Mileto


O terceiro filósofo da "escola milesiana" foi Anaxímenes de Mileto (gr. Αναξιμένης), que viveu entre -585 e -525 e fez importantes contribuições à filosofia da natureza e à astronomia. Assim como se dá com os demais milesianos, praticamente nada sabemos a respeito de sua vida.

Pensamento
Para ele, o princípio fundamental (gr. ἀρχή) da Natureza era o ar, e a própria alma era constituída de ar. A rarefação ou condensação dessa substância primordial produzia as transformações do mundo e até mesmo o calor e o frio eram determinados por esses fenômenos (frio = condensação; calor = "afrouxamento" do ar). Na astronomia, concebeu um sistema geocêntrico para a posição relativa dos corpos celestes.

Constribuições à Astronomia
Anaxímenes de Mileto (-585/-525) achava que a Terra, o Sol, a Lua e os demais corpos celestes eram planos e flutuavam no ar. Além disso, todos os corpos celestes haviam se originado da Terra e se moviam em torno dela (sistema geocêntrico).

Fragementos, edições e traduções
Os fragmentos de Anaxímenes e as passagens doxográficas foram reunidas por Mulach (1923) e Diels-Kranz (61951), notadamente; mais prática é a antologia crítica de Kirk, Raven e Schofield (11957, 41994), que existe em tradução portuguesa.

Os fragmentos e a doxografia foram traduzidos para o português por Eudoro de Souza e por Gerd Bornheim, na década de '60. Nessa mesma época, os fragmentos foram também traduzidos por José Cavalcante de Souza e os trechos doxográficos, por Wilson Regis.
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Anaximandro


Quase nada conhecemos da sua vida mas sabemos que foi discípulo, seguidor e sucessor de Tales de Mileto. Anaximandro pensava que nosso mundo é somente um entre diversos outros mundos que irão se desenvolver, evoluir e se desintegrar em um processo infinito. Nosso cosmos, um entre os infinitos que existiram e os infinitos que virão, iniciou-se com os contrários principais que são o frio e o calor. Uma idéia muito parecida de como alguns físicos modernos concebem a teoria do Big-Bang.

Anaximandro estudou e escreveu sobre geografia, astronomia, matemática e política, mas um dos seus principais escritos intitulado Sobre a Natureza não chegou até nós. Existem somente relatos dele. Esta obra é o primeiro escrito filosófico do ocidente. Anaximandro é considerado o fundador da astronomia na Grécia pois mediu a distância entre as estrelas e o tamanho das mesmas. Ao que parece ele iniciou o uso do relógio solar na Grécia e desenhou um mapa do mundo conhecido na época.

Para ele a água não era o princípio de todas as coisas como defendia Tales, assim como nenhum dos quatro elementos fundamentais: terra, fogo, ar e água. Mas tudo começava com o que ele chama de a-peiron, que é o infinito na qualidade e na quantidade. O a-peiron não surgiu de nada mas existe e não tem fim. E justamente por ser infinito em extensão e profundidade pode gerar todas as coisas. Muitos identificam esse infinito com o divino pois é imortal e não pode ser destruído. Aqui a imortalidade não é somente algo que não tem fim mas também algo que não tem começo. Neste ponto Anaximandro destrói as bases das crenças nos deuses gregos. Estes não tinham fim mas tinham começo, eles nascem em um determinado tempo. Anaximandro no entanto não acreditava em nenhum Deus. Para ele as seqüências de se criar desenvolver e destruir eram fenômenos naturais que aconteciam quando a matéria abandonava e se separava do a-peiron. O a-peiron era a realidade inicial e final de todas as coisas e por conseqüência continha em si toda a natureza divina.

Mas ele vai além, ele se questiona também de como e porque as coisas se formam do a-peiron. Para ele es coisas se constituem através de uma eterna luta entre contrários, onde algo não pode existir enquanto existe também o seu contrário. O mediador desta eterna luta é o tempo, que permite que ora exista um e ora exista o seu contrário. Esses contrários podem ser observados na natureza calor, frio; úmido, seco; claro, escuro, etc. E é o tempo que vai colocar limites para a existência destes contrários.

Anaximandro acreditava que a terra tinha a forma cilíndrica e era circundada por diversas rodas cósmicas que eram imensas e de fogo. A terra ficava suspensa sem que nada a sustentasse o que a conservava desta forma era a igual distância entre todas as partes. Existe um equilíbrio entre as diversas forças que atuam sobre a terra. Para ele o sol é que fez que do líquido do lodo marinho nascessem os primeiros seres vivos. Esses seres marinhos aos poucos foram se desenvolvendo em seres mais complexos. O homem teria se formado inicialmente dentro de alguns peixes. Ali ele se desenvolveu e foi expulso quando cresceu de tamanho o suficiente para manter-se a si mesmo.

Hoje muitos cientistas se admiram com estas antecipações, embora simplistas, de muitos conhecimentos posteriormente comprovados pela ciência:
- Para ele a terra se sustenta através do equilíbrio das diversas forças que atuam sobre ela, o que é parecido com a força da gravidade e com a força centrípeta que é o que mantém a Terra girando em torno do Sol.
- Anaximandro acreditava que os opostos se excluíam. O que é muito parecido com a teoria moderna de que logo após o Big-Bang foram criadas matéria e anti-matéria que se anulam quando se encontram.
- Ele acreditava que o sol agia sobre a água e gerava os seres e estes seres depois se deslocaram para a terra e foram se tornando mais elaborados conforme se desenvolviam. Esse pensamento é muito parecido com a teoria da evolução das espécies.
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Anaxágoras


Anaxágoras (gr. Ἀναξαγόρας) foi o principal responsável pela introdução da filosofia pré-socrática em Atenas e, consequentemente, por sua difusão entre os intelectuais atenienses. Exerceu influência em Sócrates e, naturalmente, em Arquelau, seu mais importante seguidor.

Vida e obra
Nasceu em Clazômenas, pólis da costa ocidental da Ásia Menor, por volta de -500 e, vinte anos depois, mudou-se para Atenas, onde se tornou amigo de Péricles (-495/-429); lá viveu cerca de trinta anos, ensinando filosofia. Suas idéias avançadas e sua amizade com Péricles valeram-lhe algumas antipatias e um processo de "impiedade" forçou-o a refugiar-se em Lâmpsaco, na Jônia, onde continuou a ensinar (c. -432). Faleceu pouco depois, nessa mesma pólis, mais ou menos em -428.

Escreveu, segundo a tradição, um livro denominado Da Natureza, em prosa, do qual restam cerca de vinte fragmentos.

Pensamento
Embora possa ser considerado herdeiro intelectual dos filósofos milesianos, Anaxágoras pensava de forma radicalmente diferente em relação à estrutura do universo. Postulava que, ao invés de elemento primordial unitário, várias substâncias diferentes compunham a totalidade do espaço existente. Cada elemento constituinte seria, portanto, fundamental em si mesmo e a matéria constituída pela combinação desses elementos era infinitamente indivisível.

A força que movia o universo era o Espírito (gr. νόος ou νοῦς, i.e. "pensamento", "espírito", "inteligência"), ilimitado, isolado e separado de tudo o mais. O Pensamento teria gerado um turbilhão primordial que, ao se alastrar e se movimentar pelo caos ("vazio") precedente, forçou certas entidades a se diferenciarem, como o denso do rarefeito, o quente do frio, o seco do úmido. Nada teria sido criado ou destruído: as coisas surgiram e desapareceram a partir da combinação e da dispersão daquilo que já existia.

Cada porção do mundo material conteria, em princípio, todos os componentes encontráveis nas outras partes (homeomeria). É a preponderância de certas entidades, a partir de "sementes" cujos elementos constituintes estariam inextrincavelmente misturados, que explica as características que diferenciam as coisas existentes. Um pepino e uma pedra teriam, portanto, os mesmos componentes básicos, mas em diferentes proporções.

O corolário desse conceito é que, mesmo dividindo-se infinitamente qualquer porção do mundo material, a menor porção possível conteria, ainda, todas as substâncias consituintes do universo, na proporção (preponderância) necessária para individualizá-la das demais.

Contribuição à Biologia
Anaxágoras achava que os animais nasciam primeiro da umidade, assim como Anaximandro, e estudou também as sensações. Acreditava que as coisas, para serem perceptíveis, devem ter uma composição contrária à dos órgãos dos sentidos, i.e., a percepção se dá entre coisas dessemelhantes. Nesse aspecto, ele se opunha a Empédocles, que defendia a percepção do semelhante pelo semelhante.

Postulou também que o ar contém "sementes" de todas as coisas, e que elas são trazidas à terra pela chuva, originando, por exemplo, as plantas.


Contribuição à Astronomia
Anaxágoras acreditava que a Terra era oca, tinha forma plana e se mantinha suspensa, sem apoio. O Sol, que era "maior que o Peloponeso", a Lua e todos os astros eram pedras incandescentes e seu calor não era percebido por estarem eles muito longe da Terra. Os astros, em sua revolução, passavam por baixo da Terra. A Lua era feita de terra, ficava abaixo do Sol e era o corpo celeste mais próximo de nós e não tinha luz própria; assim como Empédocles, ele acreditava que a luz da Lua vinha do Sol.

Os eclipses da Lua eram devidos ao fato dela ser ocultada pela Terra; os do Sol, pela interposição da Lua na fase de Lua Nova.

Fragmentos, edições e traduções
A doxografia provém, principalmente, de Platão, Aristóteles e Teofrasto. Os fragmentos foram conservados, em sua maioria, por Simplício (séc. VI).

A primeira edição moderna de todos os fragmentos é a de Schaubach (1827); depois, vieram as de Schorn (1829), Karsten (1835) e Mullach (1860); atualmente, a edição "padrão" é a de Diels e Kranz (61951).

A primeira tradução para o português é a de Gerd Bornheim (São Paulo, 1967), seguida pelas de Maria Cavalcante (São Paulo, 1973) e Carneiro Leão (Petrópolis, 1991).
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Pedro Abelardo ou Pierre Abélard [ou Abailard ou em latim Abelardus]


Pedro Abelardo ou Pierre Abélard [ou Abailard ou em latim Abelardus]
(Teólogo e filósofo francês)
1079 - 1142

Teólogo e filósofo francês, nascido em Le Pallet, perto de Nantes, considerado um dos maiores intelectuais do século XII com especial importância no campo da lógica, e precursor do racionalismo francês. Filho de um militar, foi discípulo de Roscelino de Copiègne e de Guilherme de Champeaux em Paris e de Anselmo de Laon (c.1070-1171). De vida atormentada e irrequieta, depois de algumas tentativas de ter sua própria escola a partir dos 22 anos, foi professor na Escola de Notre-Dame (1114-1118), primeira universidade livre da França, onde combateu as idéias de Guilherme, obrigando-o a modificá-las. No Concílio de Soisons (1121), algumas de suas teses foram condenadas e no Concílio de Sens (1410), outras foram rejeitadas e foi acusado de heresia. Foi nessa época que começou sua ligação amorosa com sua aluna de nome Héloise (1100-1164), sobrinha do cônego Fulbert, de desastrosas conseqüências . Após se apaixonar e casar secretamente, foi atacado e castrado por ordem do irado tio. Depois disto ele se tornou monge no mosteiro de Saint-Denise, onde continuou lecionando, e ela freira em um convento de Argenteuil, onde se tornou uma as mulheres mais famosas de sua época. Após o infeliz castigo, mesmo como monge, ele não deixou de ser polêmico e colecionou atritos com outros religiosos como bispos e até mesmo com seus colegas monges, criando muitos inimigos. Morreu na prelazia de Saint-Marcel, perto de Châlons-sur-Saône, onde viveu seus últimos dias de vida, sob a proteção de Pedro o venerável de Cluny. Suas obras abrangiam três áreas: lógica, teologia e ética. Em seu primeiro e mais famoso livro Sic et non (1121-1122) já demonstrava sua polêmica personalidade: nele descreveu sobre 158 questões filosóficas e teológicas que dividiram opiniões. Também merecem destaque Glosas literais, Lógica nostrorum, Logica ingredientibus, Dialectica (a mais polêmica), Theologia summi boni, Commentaria in epistulam Pauli ad romanos, Expositio in hexaemeron e Ethica seu scito te ipsum e uma autobiografia Historia calamitatum (História de minhas desventuras.
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Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno


Este renomado intelectual alemão, Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno, nascido em Frankfurt, no dia 11 de setembro de 1903, formou-se em filosofia, sociologia, psicologia, e tornou-se também musicólogo e compositor, graduando-se na Universidade de Frankfurt. Posteriormente fundou, ao lado de Max Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse e Jürgen Habermas, entre outros, a célebre Escola de Frankfurt.

Seu pai, Oscar Alexander Wiesengrund, era um alemão de procedência judaica, porém convertido à religião protestante, enquanto sua mãe, a italiana Maria Bárbara Calvelli-Adorno, dedicava-se à música erudita e professava o catolicismo. Mais tarde o filho adota o sobrenome materno, passando a ser conhecido como Theodor W. Adorno.

Sua formação musical foi, em parte, realizada com sua meia-irmã pelo lado de mãe, Agathe, primorosa pianista. Além de se sobressair nos estudos desenvolvidos no Kaiser-Wilhelm-Gymnasium, freqüentou um curso particular com o compositor Bernhard Sekles e tornou-se especialista no filósofo Immanuel Kant, graças às aulas oferecidas por seu camarada Siegfried Kracauer, um ‘expert’ na Sociologia do Conhecimento.

O empenho intelectual de Adorno o levou a defender, já em 1924, sua tese sobre a fenomenologia de Edmund Husserl. Antes mesmo de se formar ele se torna amigo de Walter Benjamin e de Max Horkheimer, seus futuros companheiros de militância intelectual e política. Sua trajetória intelectual tem início em 1933, quando lança sua tese sobre Kierkegaard. Outro contato importante no universo filosófico é com o principiante Lukács, em 1925. As primeiras publicações deste filósofo alemão – A Teoria do Romance e História e Consciência de Classe -, mais tarde rejeitadas por ele, para completa desilusão de Adorno, influenciam profundamente sua produção acadêmica, sustentando seus ideais e os rumos de sua mente brilhante. Benjamin também deixa marcas fundamentais no pensamento adorniano, que se identifica plenamente com os conceitos desenvolvidos pelo amigo.

Futuro crítico contundente dos meios de comunicação de massa, ele percebe, nos seus anos de exílio nos Estados Unidos, serem eles peças essenciais da engrenagem que alicerça a indústria cultural. Esta criação do Capitalismo molda a mentalidade dos que a ela aderem inconscientemente, semeando o conformismo e a resignação na população que se encontra inerte diante de um sistema implacável que desfigura a essência do ser.

Adorno foi mais um dos adeptos da Escola de Frankfurt que, durante o processo de nazificação da Alemanha, foi obrigado a se refugiar na América, por ser de ascendência judaica e também por sua vocação para o socialismo. Depois de uma passagem pela Suíça, ele atendeu a um convite de Horkheimer para trabalhar na Universidade de Princeton. Sua impressão sobre os Estados Unidos não foi das melhores. Sofisticado intelectual europeu, incomodou-o profundamente o ar de uniformização presente em tudo, a despeito dos conceitos norte-americanos de individualidade e do cultivo das diferenças.

Este universo regido pelos interesses, pelo lucro e pelas conveniências o levou a uma reflexão mais atenta sobre a massificação da cultura. Inclinado a compreender esse paradoxo americano, ele estuda a fundo a mídia dos EUA, e descobre sob a aparente liberdade apregoada pelo ‘American Way of Life’, uma ideologia padronizada que a tudo perpassa, com a intenção de sujeitar a massa apática, induzindo-a ao consumismo e à submissão ao sistema.

Com o término da Segunda Guerra, Adorno professa a volta do Instituto de Pesquisa Social para Frankfurt, juntamente com seus membros. Após a aposentadoria de Horkheimer, Adorno assume sua diretoria, na década de 50. Pouco antes de sua morte, em 6 de agosto de 1969, ele assumiu uma posição controvertida diante dos rebeldes do movimento estudantil que, em 31 de janeiro deste mesmo ano, pretendiam suspender sua aula para darem seqüência aos protestos que se espalhavam pelas ruas da Europa. Surpreendentemente ele recorreu á polícia para reprimir as manifestações, o que causou um mal-estar entre ele e os estudantes, além de o contrapor ao seu antigo companheiro, Marcuse, que se aliara aos alunos nos movimentos que se alastravam pelo continente europeu. Adorno parte sentindo-se aviltado pelos adeptos de uma esquerda para ele considerada ultra-radical.
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Zuzu Angel


Zuzu Angel foi uma estilista brasileira de renome internacional, que ficou conhecida na década de 70, época em que a moda brasileira seguia a tendência européia. Seu filho, Stuart Angel Jones, foi torturado, morto e teve o cadáver ocultado pelos órgãos de repressão, por ser um integrante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), grupo de resistência armada a ditadura militar. De sua dor, Zuzu Angel tirou forças para denunciar a barbárie que ocorria no país, inclusive internacionalmente.

Mineira da cidade de Curvelo, Zuleika Angel Jones nasceu em 1921. Morou em Belo Horizonte, onde já demonstrava suas habilidades ao fazer roupas para as primas, e na Bahia até que se estabeleceu, em 1947, no Rio de Janeiro, onde viveu até sua morte. Na década de 50, assumiu a profissão de costureira, e ,em 1970, abriu uma loja em Ipanema e passou a realizar desfiles, inclusive fora do Brasil.

Foi pioneira ao promover sua marca nas próprias roupas, expondo-a na parte externa das peças. Simplicidade, feminilidade, cores tropicais, mistura de tecidos (seda pura com renda de algodão, por exemplo) e utilização de materiais (pedras, conchas, entre outras).

Além de ter sido importante para a moda brasileira, Zuzu Angel é um exemplo de força e coragem. Seu drama começou em 1971, quando seu filho Stuart Angel Jones, então com 26 anos, desapareceu. Por meio de uma carta anônima, Zuzu foi informada que seu filho havia sido sequestrado, torturado e morto pelos órgãos de repressão. Stuart não forneceu as informações que os torturadores desejavam, então foi morto ao ser arrastado por um jipe, amarrado ao cano de escape do veículo, asfixiado pela fumaça do óleo diesel. Seu corpo não foi encontrado.

Corajosa, não se calou e denunciou o crime, inclusive a imprensa do exterior, entregue uma carta-denúncia ao Secretário de Estado de Governo dos Estados Unidos, Henry Kissinger. Outra estratégia utilizada por Zuzu foi o desfile-denúncia, realizado no Brasil e nos estados Unidos, no qual utilizou figuras de meninos presos, crucifixos, tanques, jipes e anjos amordaçados. Sofreu ameaças, foi perseguida e intimidada.

Temendo que as ameaças se concretizassem, escreveu cartas nas quais registrou que se aparecesse morta, ainda que parecesse acidente, seria na verdade assassinato. Em 14 de abril de 1976, morreu ao sofrer um “acidente” na saída de um Túnel no Rio de Janeiro.
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Giorgio Armani


Giorgio Armani nasceu em Piacenza, no centro norte da Itália, em uma família de classe média, e teve sua infância e adolescência afetada duramente pela 2ª Guerra Mundial. Viu dois de seus amigos morrerem, sob bombas, e jamais esqueceu as madrugadas em que toda a família corria ao abrigo antiaéreo mais próximo.
Em 1942, ele assistiu a um filme que o tocaria profundamente - Obssessão, do diretor italiano Luchino Visconti. Depois, ele começa a ler os livros de A.J. Cronin, autor famoso no mundo todo nas décadas de 50 e 60. Assim Armani descobriu a medicina, tema sempre presente na ficção de Cronin, e convenceu-se de que havia encontrado a ocupação de sua vida, cheia de altruísmo e de gestos grandiosos, uma verdadeira missão a ser exercida. Já na faculdade, porém, foi percebendo que não era tanto assim - tratava-se de uma profissão como qualquer outra.
Ao parar o curso, para a temporada de praxe no exército, ele passou a questionar sua real vocação, e quando uma amiga comentou que La Rinascente, grande loja italiana de departamentos, estava precisando de alguém para a área de moda, decidiu candidatar-se. Não ganhou o cargo que estava vago, mas causou boa impressão, e foi contratado como assistente de vitrinista. Logo, passava a assistente de comprador de moda e ele, que nada entendia do assunto, começou a se interessar e a ficar atento.
Aos poucos, Armani passou a conhecer o trabalho de grandes estilistas, especialmente os franceses e, principalmente, foi percebendo que havia uma grande distância entre a moda vendida nas lojas e o que os consumidores realmente queriam levar para casa. Ele cuidava, então, de uma coleção chamada Hitman, para homens, e decidiu fazer uma campanha publicitária diferente para vendê-la.
Com Oliviero Toscani, fotógrafo que se tornaria internacionalmente conhecido mais tarde, com suas polêmicas e agressivas campanhas para a marca Benetton, Armani concebeu um anúncio em que só aparecia a cabeça de um homem de cabelos longos - moda da época - que encobriam seu rosto. A campanha, hoje em dia, é considerada um clássico, mas La Rinascente queria mostrar seus produtos, e não um conceito.

Era hora de mudar, e o novo endereço de Armani passou a ser a marca Nino Cerruti. Ficou durante oito anos ali, aprendeu a desenhar moda. E conheceu Sergio Galeotti.

A parceria entre Armani e Galeotti foi fundamental para ambos, tanto em suas vidas pessoais como nos negócios. Foi Galeotti, com seu entusiasmo e confiança total no talento de seu parceiro, que apostou e investiu na construção desse que é hoje um dos maiores conglomerados de moda do mundo. Em 1975, depois de deixar a casa Cerruti e de ter trabalhado como consultor independente de moda, Giorgio Armani tornava-se uma grife.
As primeiras coleções eram apenas masculinas, mas houve um momento em que Galeotti chamou a atenção do estilista para o novo comportamento das mulheres em todo o mundo - elas estão ocupando novos postos de trabalho, há um outro comportamento feminino no ar, e certamente vai ser preciso mais do que vestidos estampados para esses novos tempos. A moda mundial, pelas mãos de Armani, começava a mudar.

Enfim, depois de quatro coleções, Armani teve a certeza que seu estilo estava não só aprovado, mas consagrado. Em 1985, ele chegou a pensar em parar com tudo - nesse ano Galeotti morria, deixando Armani. Compreendeu, porém, que tinha que ir em frente. Foi devagar, tentando entender cada fase do imenso empreendimento que tinha em mãos, tomando decisões com cuidado, aprendendo com seus próprios erros.

Atualmente, o ‘imperador de Milão’ tem negócios pelo mundo todo, inclusive no Brasil.
Seu estilo, que como ele mesmo diz, certamente começou a ser formado ao ver a sobriedade com que sua mãe se vestia, evolui dentro de sua crença inabalável de que conforto e simplicidade podem ser extremamente elegantes.

Do alto de toda fama, Giorgio Armani tem visto dia a dia, grande grifes internacionais passarem para o controle de grandes grupos econômicos. Não ele, garante: não consegue imaginar qualquer detalhe de seu trabalho, da criação à publicidade, sob controle alheio. Um trabalho, que como define, não permite que se durma, que se tire férias, que exige atenção total o tempo todo, que é difícil. Mas que, na mesma medida, é maravilhoso.
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Joaquim Maria Machado de Assis


Joaquim Maria Machado de Assis é considerado um dos mais importantes escritores da literatura brasileira. Nasceu no Rio de Janeiro em 21/6/1839, filho de uma família muito pobre. Mulato e vítima de preconceito, perdeu na infância sua mãe e foi criado pela madrasta. Superou todas as dificuldades da época e tornou-se um grande escritor.


Na infância, estudou numa escola pública durante o primário e aprendeu francês e latim. Trabalhou como aprendiz de tipógrafo, foi revisor e funcionário público.

Publicou seu primeiro poema intitulado Ela, na revista Marmota Fluminense. Trabalhou como colaborador de algumas revistas e jornais do Rio de Janeiro. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de letras e seu primeiro presidente.

Podemos dividir as obras de Machado de Assis em duas fases: Na primeira fase (fase romântica) os personagens de suas obras possuem características românticas, sendo o amor e os relacionamentos amorosos os principais temas de seus livros. Desta fase podemos destacar as seguintes obras: Ressurreição (1872), seu primeiro livro, A Mão e a Luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878).

Na Segunda Fase ( fase realista ), Machado de Assis abre espaços para as questões psicológicas dos personagens. É a fase em que o autor retrata muito bem as características do realismo literário. Machado de Assis faz uma análise profunda e realista do ser humano, destacando suas vontades, necessidades, defeitos e qualidades. Nesta fase destaca-se as seguintes obras: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1892), Dom Casmurro (1900) e Memorial de Aires (1908).

Machado de Assis também escreveu contos, tais como: Missa do Galo, O Espelho e O Alienista. Escreveu diversos poemas, crônicas sobre o cotidiano, peças de teatro, críticas literárias e teatrais.

Machado de Assis morreu de câncer, em sua cidade natal, no ano de 1908.

Relação das obras:

Romances
Ressurreição - 1872
A mão e a luva - 1874
Helena - 1876
Iaiá Garcia - 1878
Memórias Póstumas de Brás Cubas - 1881
Quincas Borba - 1891
Dom Casmurro - 1899
Esaú e Jacó - 1904
Memorial de Aires - 1908

Poesia
Crisálidas
Falenas
Americanas
Ocidentais
Poesias completas

Contos
A Carteira
Miss Dollar
O Alienista
Noite de Almirante
O Homem Célebre
Conto da Escola
Uns Braços
A Cartomante
O Enfermeiro
Trio em Lá Menor
Missa do Galo

Teatro
Hoje avental, amanhã luva - 1860
Desencantos - 1861
O caminho da porta, 1863
Quase ministro - 1864
Os deuses de casaca - 1866
Tu, só tu, puro amor - 1880
Lição de botânica - 1906
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Afonso Arinos de Melo Franco


Afonso Arinos de Melo Franco nasceu em Paracatu (Minas Gerais), a 1º de maio de 1868. Era filho de Virgílio de Melo Franco e de Ana Leopoldina de Melo Franco. Faleceu em Barcelona, a 19 de fevereiro de 1916.

Membro da Academia Brasileira de Letras em 31 de dezembro de 1901, foi empossado em 18 de setembro de 1903.

Afrânio Peixoto assim resumiu a atuação ligerária de Afonso Arinos: "jornalista monarquista, depois contista de coisas do sertão".

Os primeiros estudos de Afonso Arinos foram feitos em Goiás, para onde fora transferido seu pai. Os preparatórios tiveram lugar em São João del-Rei no estabelecimento de ensino dirigido pelo cônego Antônio José da Costa Machado, e no Ateneu Fluminense, do Rio de Janeiro.

Em 1885, iniciou o curso de Direito em São Paulo, concluído quatro anos mais tarde. Desde o tempo de estudante manifestou Afonso Arinos forte inclinação para as letras escrevendo alguns contos.

Depois de formado mudou-se com a família para Ouro Preto, então capital do Estado de Minas Gerais. Concorreu a uma vaga de professor de História do Brasil, em cuja disputa por concurso obteve o 1º lugar.

Foi um dos fundadores da Faculdade de Direito de Minas Gerais onde lecionou Direito Criminal.

Durante a Revolta da Armada (1893/1894), abrigou em sua casa alguns escritores radicados no Rio de Janeiro que, suspeitos de participação naquele movimento, haviam buscado refúgio no interior de Minas.

Afonso Arinos teve vários trabalhos publicados, na década de 1890, na "Revista Brasileira" e na "Revista do Brasil". Convidado por Eduardo Prado assumiu, em 1897, a direção do "Comércio de São Paulo".

Em fevereiro de 1901 foi eleito sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. No mesmo ano candidatara-se à vaga de Eduardo Prado na Academia Brasileira de Letras.

Distinguiu-se Afonso Arinos em nossa literatura como um contista de feição regionalista, fato comprovado pelos seus livros "Pelo sertão" e "Os jagunços". Escreveu, também, o drama "O contratador de Diamantes" e "O mestre de campo". Depois de sua morte foram publicados - "Lendas e Tradições Brasileiras"(1917) e "Histórias e paisagens"(1921).

Da obra de Afonso Arinos e de seu estilo escreveu Lucia Miguel Pereira:

"Possuía a qualidade mestra dos regionalistas: o dom de captar a um tempo, repercutindo nas outras, prolongando-se mutuamente, as figuras humanas e as forças da natureza".
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Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos


Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu no engenho Pau d'Arco, no município de Sapé, estado da Paraíba. Foi educado nas primeiras letras pelo pai e estudou no Liceu Paraibano, onde viria a ser professor em 1908. Precoce poeta brasileiro, compôs os primeiros versos aos 7 anos de idade.

Em 1903, ingressou no curso de Direito na Faculdade de Direito do Recife, bacharelando-se em 1907. Em 1910 casa-se com Ester Fialho. Seu contato com a leitura, influenciaria muito na construção de sua dialética poética e visão de mundo.

Com a obra de Herbert Spencer, teria aprendido a incapacidade de se conhecer a essência das coisas e compreendido a evolução da natureza e da humanidade. De Ernst Haeckel, teria absorvido o conceito da monera como princípio da vida, e de que a morte e a vida são um puro fato químico. Arthur Schopenhauer o teria inspirado a perceber que o aniquilamento da vontade própria seria a única saída para o ser humano. E da Bíblia Sagrada ao qual, também, não contestava sua essência espiritualística, usando-a para contrapor, de forma poeticamente agressiva, os pensamentos remanescentes, em principal os ideais iluministas/materialistas que, endeusando-se, se emergiam na sua época.

Essa filosofia, fora do contexto europeu em que nascera, para Augusto dos Anjos seria a demonstração da realidade que via ao seu redor, com a crise de um modo de produção pré-materialista, proprietários falindo e ex-escravos na miséria. O mundo seria representado por ele, então, como repleto dessa tragédia, cada ser vivenciando-a no nascimento e na morte.

Dedicou-se ao magistério, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde foi professor em vários estabelecimentos de ensino. Faleceu em 12 de novembro de 1914, às 4 horas da madrugada, aos 30 anos, em Leopoldina, Minas Gerais, onde era diretor de um grupo escolar. A causa de sua morte foi a pneumonia.

Durante sua vida, publicou vários poemas em periódicos, o primeiro, Saudade, em 1900. Em 1912, publicou seu livro único de poemas, Eu. Após sua morte, seu amigo Órris Soares organizaria uma edição chamada Eu e Outras Poesias, incluindo poemas até então não publicados pelo autor.
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Oswald de Andrade


OSWALD DE ANDRADE, poeta, romancista e dramaturgo, nasceu em São Paulo em 11 de janeiro de 1890. Filho de família rica, estuda na Faculdade de Direito do Largo São Francisco e, em 1912, viaja para à Europa. Em Paris, entra em contato com o Futurismo e com a boemia estudantil. Além das idéias Futuristas, conhece Kamiá, mãe de Nonê, seu primeiro filho, nascido em 1914.

De volta a São Paulo faz jornalismo literário. Em 1917, passa a viver com Maria de Lourdes Olzani (ou Deise), conhece Mário de Andrade e defende a pintora Anita Malfatti de uma crítica devastadora de Monteiro Lobato. Ao lado deles, e de outros intelectuais, organiza a Semana de Arte Moderna de 1922.

Em 1924 publica, pela primeira vez, no jornal "Correio da manhã", na edição de 18 de março de 1924, o Manifesto da Poesia Pau-Brasil. No ano seguinte, após algumas alterações, o Manifesto abria o seu livro de poesias "Pau-Brasil".

Em 1926, Oswald casa-se com a Tarsila do Amaral e os dois tornam-se o casal mais importante das artes brasileiras. Apelidados carinhosamente por Mário de Andrade como "Tarsiwald", o casal funda, dois anos depois, o Movimento Antropófago e a Revista de Antropofagia, originários do Manifesto Antropófago. A principal proposta desse Movimento era que o Brasil devorasse a cultura estrangeira e criasse uma cultura revolucionária própria.

O ano de 1929 é fundamental na vida do escritor. A crise de 29 abalou as suas finanças, ele rompe com Mário de Andrade, separa-se de Tarsila do Amaral e apaixona-se pela escritora comunista Patrícia Galvão (Pagu). O relacionamento com Patrícia Galvão intensifica sua atividade política e Oswald passa a militar no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Além disso, o casal funda o jornal "O Homem do Povo", que durou até 1945, quando o autor rompeu com o PCB. Do casamento com Patrícia Galvão, nasceu Rudá, seu segundo filho.

Depois de separar-se de Pagu, casou-se, em 1936, com a poetisa Julieta Bárbara. Em 1944, mais um casamento, agora com Maria Antonieta D'Aikmin, com quem permanece junto até a morte, em 1954.

Nenhum outro escritor do Modernismo ficou mais conhecido pelo espírito irreverente e combativo do que Oswald de Andrade. Sua atuação intelectual é considerada fundamental na cultura brasileira do início do século. A obra literária de Oswald apresenta exemplarmente as características do Modernismo da primeira fase.

A poesia de Oswald é precursora de um movimento que vai marcar a cultura brasileira na década de 60: o Concretismo. Suas idéias, ainda nessa década, reaparecem também no Tropicalismo.

"Memórias sentimentais de João Miramar" chama a atenção pela linguagem e pela montagem inédita. O romance apresenta uma técnica de composição revolucionária, se comparado aos romances tradicionais: são 163 episódios numerados e intitulados, que constituem capítulos-relâmpagos (tudo muito influenciado pela linguagem do cinema) ou, mais precisamente, como se os fragmentos estivessem dispostos num álbum, tal qual fotos que mantêm relação entre si. Cada episódio narra, com ironia e humor, um fragmento da vida de Miramar. "Recorte, colagem, montagem", resume o crítico Décio Pignatari.

::. Principais Obras

Além dos manifestos da Poesia Pau-Brasil (1924); Manifesto Antropófago (1928), Oswald escreveu:

Poesia:

Pau-Brasil (1925);
Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade (1927);
Cântico dos cânticos para flauta e violão (1945);
Ô escaravelho de ouro (1945).
Romance:

Os condenados (trilogia) (1922-34);
Memórias sentimentais de João Miramar (1924);
Serafim Ponte Grande (1933);
Marco Zero -a revolução melancólica (1943).
Teatro:

O homem e o cavalo (1934);
A mona (1937);
O rei da veia (1937).
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Mário Raul de Morais Andrade


Mário Raul de Morais Andrade nasceu na cidade de São Paulo em 09/10/1893, filho de Maria Luisa e de Carlos Augusto de Andrade, que era de origem humilde e ascendeu socialmente através do próprio esforço. Faleceu na cidade de nascimento em 25/02/1945. Teve intensa atividade cultural durante toda a vida: foi diretor do Departamento Municipal de Cultura, em São Paulo, e do Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal (então localizado no Rio de Janeiro); organizou o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional; lecionou História da música no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Teve participação ativa na Semana de Arte Moderna e passou a exercer uma espécie de “magistério” modernista, correspondendo-se com muitos poetas e escritores durante toda a sua vida. Além de poeta e ficcionista, foi cronista, crítico literário e pesquisador de folclore, da música e das artes plásticas nacionais. Também trabalhou na redação da revista modernista Klaxon, veículo de divulgação de idéias e trabalhos dos novos escritores após a Semana de Arte Moderna.
Suas principais obras são os livros de poemas Paulicéia desvairada, O losango cáqui, Clã do jabuti, Remate de males, Poesias, Lira paulistana seguida d’O carro da Miséria, Poesias completas; a prosa de ficção de Primeiro andar (contos), Amar, verbo intransitivo (romance), Macunaíma (rapsódia), Os contos de Belazarte e Contos novos. Sobre crítica literária, Mário publicou A escrava que não é Isaura, Aspectos da literatura brasileira e O empalhador de passarinho, entre outros. A esses títulos se somam muitos outros: crônicas, estudos sobre música e folclore brasileiros, história da arte, além de uma vastíssima correspondência e u livro de poemas “imaturos”, Há uma gota de sangue em cada poema.
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Carlos Drummond de Andrade


Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Minas Gerais, na cidade de Itabira. Fez lá seus primeiros estudos e em 1918 se mudou para Friburgo e passou a estudar no inernato do Colégio Anchieta. Um ano depois é expulso após um incidente com o professor de português. Drummond de Andrade se forma em Farmácia a família exigia um diploma; ele nunca exerceu a profissão) e passa a lecionar História e Geografia e sua cidade natal, mas em 1934 assume um cargo público no governo Vargas. Burocrata toda a vida (se aposentou em 1962, mas sempre foi organizado), quando da morte do poeta toda sua obra que seria publicada postumamente estava bem organizada. Em 1945 tornou-se co-diretor do jornal do comunista Luís Carlos Prestes e depois passou a trabalhar no então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Drummond foi cronista depois de aposentado (antes também, mas principalmente depois) e era preocupado com a profissionalização do escritor, tendo ajudado diversas fundações para a classe. Além de cronista, o autor também fez contos e escreveu um livro infantil ilustrado por Ziraldo. Mas é como poeta que ele se destaca. Sua obra Alguma Poesia, de 1930, inaugura a segunda fase do Modernismo. Nela aparecem muitas características da primeira fase, como o poema-piada, mas começam a aparecer preocupações sociais e políticas, como a crítica aos regimes de exclusão então em pleno vapor e crescendo. A partir de 1962 surgem poesias com tendências concretistas até, mas o melhor seria exemplificar como o próprio autor divide e classifica suas poesias e as temáticas destas: o indivíduo, a terra natal, a família, os amigos, o choque social, o conhecimento amoroso, a poesia em si, exercícios lúdicos e uma visão (ou tentativa de) existência. Outras características de sua obra incluem um fino humor, uma angústia diante da morte, a capacidade de surpreender o leitor e a monotonia da vida.
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Jorge Amado


Jorge Amado, jornalista, romancista e memorialista, nasceu no dia 10 de agosto de 1912 na Fazenda Auricídia, em Ferradas, Itabuna, BA.Filho do Cel. João Amado de Faria e de D. Eulália Leal Amado. Com um ano de idade, foi para Ilhéus, onde passou a infância e aprendeu as primeiras letras. Cursou o secundário no Colégio Antônio Vieira e no Ginásio Ipiranga, em Salvador - cidade que costuma chamar Bahia - onde viveu, livre e misturado com o povo, os anos da adolescência, tomando conhecimento da vida popular que iria marcar fundamentalmente sua obra de romancista.

Aos 14 anos, na Bahia, começou a trabalhar em jornais e a participar da vida literária, sendo um dos fundadores da Academia dos Rebeldes, grupo de jovens que, juntamente com os do "Arco & Flecha" e do "Samba", desempenhou importante papel na renovação das letras baianas.

Comandados por Pinheiro Viegas, figuraram na Academia dos Rebeldes, além de Jorge Amado, os escritores João Cordeiro, Dias da Costa, Alves Ribeiro, Edison Carneiro, Sosígenes Costa, Válter da Silveira, Áidano do Couto Ferraz e Clóvis Amorim.

Eleito em 6 de abril de 1961 para a Cadeira n. 23, na sucessão de Otávio Mangabeira, foi recebido em 17 de julho de 1961 pelo acadêmico R. Magalhães Júnior. Fez os estudos universitários no Rio de Janeiro, na Faculdade de Direito, pela qual é bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais (1935), não tendo, no entanto, jamais exercido a advocacia. Foi casado com Zélia Gattai - autora de Anarquistas, graças a Deus (1979), Um chapéu para viagem (1982), Senhora dona do baile (1984), Jardim de inverno (1988), Pipistrelo das mil cores (1989) e O segredo da Rua 18 (1991) - tem dois filhos: João Jorge, sociólogo e autor de peças para teatro infantil, e Paloma, psicóloga, casada com o arquiteto Pedro Costa. É irmão do médico neuropediatra Joelson Amado e do escritor James Amado. Em 1945, foi eleito deputado federal pelo Estado de São Paulo, tendo participado da Assembléia Constituinte de 1946 (pelo Partido Comunista Brasileiro) e da primeira Câmara Federal após o Estado Novo, sendo responsável por várias leis que beneficiaram a cultura. Viajou pelo mundo todo. Viveu exilado na Argentina e no Uruguai (1941-42), em Paris (1948-50) e em Praga (1951-52). Escritor profissional, viveu exclusivamente dos direitos autorais de seus livros. Recebeu no estrangeiro os seguintes prêmios: Prêmio Internacional Lênin (Moscou, 1951); Prêmio de Latinidade (Paris, 1971); Prêmio do Instituto Ítalo-Latino-Americano (Roma, 1976); Prêmio Risit d'Aur (Udine, Itália, 1984); Prêmio Moinho, Itália (1984); Prêmio Dimitrof de Literatura, Sofia - Bulgária (1986); Prêmio Pablo Neruda, Associação de Escritores Soviéticos, Moscou (1989); Prêmio Mundial Cino Del Duca da Fundação Simone e Cino Del Duca (1990); e Prêmio Camões (1995). No Brasil: Prêmio Nacional de Romance do Instituto Nacional do Livro (1959); Prêmio Graça Aranha (1959); Prêmio Paula Brito (1959); Prêmio Jabuti (1959 e 1970); Prêmio Luísa Cláudio de Sousa, do Pen Club do Brasil (1959); Prêmio Carmen Dolores Barbosa (1959); Troféu Intelectual do Ano (1970); Prêmio Fernando Chinaglia, Rio de Janeiro (1982); Prêmio Nestlé de Literatura, São Paulo (1982); Prêmio Brasília de Literatura - Conjunto de Obras (1982); Prêmio Moinho Santista de Literatura (1984); prêmio BNB de Literatura (1985). Recebeu também diversos títulos honoríficos, nacionais e estrangeiros, entre os quais: Comendador da Ordem Andrés Bello, Venezuela (1977); Commandeur de l'Ordre des Arts et des Lettres, da França (1979); Commandeur de la Légion d'Honneur (1984); Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia (1980) e do Ceará (1981); Doutor Honoris Causa pela Universidade Degli Studi de Bari, Itália (1980) e pela Universidade de Lumière Lyon II, França (1987). Grão Mestre da Ordem do Rio Branco (1985) e Comendador da Ordem do Congresso Nacional, Brasília (1986). Foi membro correspondente da Academia de Ciências e Letras da República Democrática da Alemanha; da Academia das Ciências de Lisboa; da Academia Paulista de Letras; e membro especial da Academia de Letras da Bahia. Obá do Axê do Opó Afonjá, na Bahia, onde viveu, cercado de carinho e admiração de todas as classes sociais e intelectuais. Exerceu atividades jornalísticas desde bem jovem quando ingressou como repórter no Diário da Bahia (1927-29), época em que também escrevia na revista literária baiana A Luva. Depois, no Sul, atuou sempre na imprensa, tendo sido redator-chefe da revista carioca Dom Casmurro (1939) e colaborador, no exílio (1941-42), em periódicos portenhos - La Crítica, Sud e outros. Retornando à pátria, redigiu a seção "Hora da Guerra", no jornal O Imparcial (1943-44), em Salvador, e, mudando-se para São Paulo, dirigiu o diário Hoje (1945). Anos após, participou, no Rio, da direção do semanário Para Todos (1956-58). Estreou na literatura em 1930, com a publicação, por uma editora do Rio, da novela Lenita, escrita em colaboração com Dias da Costa e Édison Carneiro. Os seus livros, que ao longo de 36 anos (de 1941 a 1977) foram editados pela Livraria Martins Editora, de São Paulo, integraram a coleção Obras Ilustradas de Jorge Amado. Atualmente, as obras de Jorge Amado são editadas pela Distribuidora Record, do Rio. Publicados em 52 países, seus livros foram traduzidos para 48 idiomas e dialetos, a saber: albanês, alemão, árabe, armênio, azerbaijano, búlgaro, catalão, chinês, coreano, croata, dinamarquês, eslovaco, esloveno, espanhol, esperanto, estoniano, finlandês, francês, galego, georgiano, grego, guarani, hebreu, holandês, húngaro, iídiche, inglês, islandês, italiano, japonês, letão, lituano, macedônio, moldávio, mongol, norueguês, persa, polonês, romeno, russo (também três em braile), sérvio, sueco, tailandês, tcheco, turco, turcomano, ucraniano e vietnamita. Teve livros adaptados para o cinema, o teatro, o rádio, a televisão, bem como para histórias em quadrinhos, não só no Brasil mas também em Portugal, na França, na Argentina, na Suécia, na Alemanha, na Polônia, na Tcheco-Eslováquia, na Itália e nos Estados Unidos. Obras: O país do carnaval, romance (1931); Cacau, romance (1933); Suor, romance (1934); Jubiabá, romance (1935); Mar morto, romance (1936); Capitães de areia, romance (1937); A estrada do mar, poesia (1938); ABC de Castro Alves, biografia (1941); O cavaleiro da esperança, biografia (1942); Terras do sem fim, romance (1943); São Jorge dos Ilhéus, romance (1944); Bahia de Todos os Santos, guia (1945); Seara vermelha, romance (1946); O amor do soldado, teatro (1947); O mundo da paz, viagens (1951); Os subterrâneos da liberdade, romance (1954); Gabriela, cravo e canela, romance (1958); A morte e a morte de Quincas Berro d'Água, romance (1961); Os velhos marinheiros ou o Capitão de longo curso, romance (1961); Os pastores da noite, romance (1964); Dona Flor e seus dois maridos, romance (1966); Tenda dos milagres, romance (1969); Teresa Batista cansada de guerra, romance (1972); O gato Malhado e a andorinha Sinhá, historieta (1976); Tieta do Agreste, romance (1977); Farda, fardão, camisola de dormir, romance (1979); Do recente milagre dos pássaros, conto (1979); O menino grapiúna, memórias (1982); A bola e o goleiro, literatura infantil (1984); Tocaia grande, romance (1984); O sumiço da santa, romance (1988); Navegação de cabotagem, memórias (1992). Em 1995 iniciou-se o processo de revisão de sua obra por sua filha Paloma e os livros ganharam novo projeto gráfico. Suas obras mais recentes foram "A descoberta da América pelos turcos", de 1994, e o livro-conto "O milagre dos pássaros", de 1997. Faleceu no dia 06 de agosto de 2001 em Salvador, Bahia. Foi cremado, a seu pedido, e suas cinzas foram colocadas ao pé de uma mangueira em sua casa.
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Antônio Frederico de Castro Alves


Antônio Frederico de Castro Alves nasceu na fazenda Cabaceiras, antiga freguesia de Muritiba, perto da vila de Curralinho, hoje cidade Castro Alves, no Estado da Bahia, a 14 de março de 1847 e morreu na cidade de Salvador, no dia 6 de julho de 1871. O mais brilhante dos poetas românticos brasileiros. Chamado cantor dos escravos pelos seus poemas de combate à escravidão negra no Brasil. Viveu os primeiros anos da juventude no interior do sertão. Era filho do médico Antônio José Alves, mais tarde professor na Faculdade de Medicina de Salvador, e de Clélia Brasília da Silva Castro, falecida quando o poeta tinha 12 anos. Por volta de 1853, ao mudar-se com a família para a capital, estudou no colégio de Abílio César Borges, futuro Barão de Macaúbas, onde foi colega de Rui Barbosa, demonstrando vocação apaixonada e precoce para poesia. Aos dezesseis anos foi para o Recife, estudar Direito. Começou desde logo a patentear uma notável vocação poética e a demonstrar dotes oratórios pouco comuns, que mais tarde fizeram dele um dos arautos do movimento abolicionista e da causa republicana. Escreveu poesia lírica, e também poesia de caráter social, em favor da abolição da escravatura. Participou ativamente da vida estudantil e literária. Tendo grande animação pelo teatro, em 1867, conheceu a atriz portuguesa Eugênia Câmara, dez anos mais velha do que ele, por quem se apaixonou, com ela seguindo para Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, e em sua homenagem escreveu o drama em prosa Gonzaga ou A Revolução de Minas, que ela representou. De passagem pelo Rio de Janeiro, conheceu Machado de Assis, que o introduziu nos meios literários. Em São Paulo cursa o 3º ano da Faculdade de Direito. Comçam então os primeiros desentendimentos amorosos do casal. Os amores pela atriz continuaram, mas não foram por ela correspondidos. Abraçando a caça nos bosques da Lapa, o poeta procurava esquecer os aborrecimentos, que lhe adivinham das desavenças com atriz. Em 1968, numa dessas caças feriu-se com um tiro de espingarda no pé direito. Foi conduzido para o Rio de Janeiro, teve o pé amputado. Daí passou a caminhar apoiado numa bengala, utilizando um pé de borracha. Como já a tuberculose o afligia, teve seus males agravados pelo acidente. Em 1870 dirigiu-se para a Bahia, onde publica Espumas Flutuantes. Falece em Salvador. Predominante poeta romântico, foi influenciado por Byron e Vitor Hugo. Pertenceu à Escola Condoreira. O inolvidável poeta, que foi um dos mais acerbos defensores da emancipação da escravatura no Brasil, é o patrono da cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras. Obras de Antônio Castro Alves (1847 - 1871): Espumas Flutuantes, Os Escravos, A Cachoeira de Paulo Afonso e o drama Gonzaga ou A Revolução de Minas, Vozes da África e Navio Negreiro são a sua expressão máxima e poesia.
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Martin Andersen-Nexö


O seu verdadeiro nome era Martin Andersen. Marcado por uma infância pobre na cidade de Nexö, onde começou a trabalhar desde criança, abandonou a condição de operário para se tornar escritor a serviço do movimento dos trabalhadores dinamarqueses. De ideologia marxista, mudou-se em 1951 para a antiga RDA. Na sua obra mais célebre e significativa, o romance autobiográfico Pelle, o Conquistador (escrito entre 1906 e 1910 e levado ao cinema em 1986), Andersen descreveu em quatro volumes a trajetória vital do filho de um trabalhador que se converte em líder do proletariado dinamarquês. É também famoso o seu romance Morton, o Vermelho (1945).
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Isabel Allende



Isabel Allende
Nasceu em 1942, em Lima, Peru, mas costuma dizer que é chilena por formação e convicção. Segundo dados fornecidos pelas editoras, é a escritora latino-americana mais lida do mundo. Dada sua história de vida repleta de grandes acontecimentos – como o golpe militar chileno em 1973 (é sobrinha do presidente Salvador Allende) e a morte da filha, Paula, em 1992 –, procura viver intensamente cada minuto da vida. “Eu não confio mais no amanhã, na minha cabeça, tudo pode estar perdido em um minuto”, afirma. Os mortos e os espíritos são um tema importante em seus romances, como A casa dos espíritos (1982) e De amor e sombras (1984). Sua carreira se deve em grande parte a Pablo Neruda, que a aconselhou a ser escritora, porque como jornalista “eres muy mentirosa”. Escreveu El plano infinito (1991), livro que narra a história da família de seu esposo, e declarou com toda franqueza que “una de las razones por las que acepté salir com Willie fue porque sabía que él tenía una gran historia por escribir”. Outra história que teve de contar foi dolorosa: o livro Paula (1995). Dois anos e meio após o falecimento da filha, ela decidiu transformar esse drama familiar num novo livro. Mais tarde, lançou Afrodite (1998), um “tratado” de receitas afrodisíacas. Seus livros costumam fazer sucesso de imediato, como no caso de Eva Luna, A casa dos espíritos, La hija de la fortuna (1999), Retrato em sépia (2001). Em 2003 fez novas revelações sobre sua família com o autobiográfico Meu país inventado. Decidiu partir para uma grande história infanto-juvenil e publicou a trilogia: A cidade das feras (2002); O reino do dragão de ouro (2004) e O bosque dos pigmeus (2004), todos pela Bertrand Brasil. São as aventuras do jovem Alexander Cold em lugares como Amazonas, Himalaia e Kenia. Logo mais estará na tela do cinema. Esta esperiência deve ter lhe agradado, pois em seguida lançou Zorro, começa a lenda (Bertrand Brasil, 2006). Seu lançamento mais recente é Inés del alma mia, romance histórico centrado na vida de Inês Suárez, esposa de Pedro de Valdívia (conquistador do Chile). Seu livro mais recente é um romance autobiográfico: Una tribu de novela.
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Dante Alighieri


Dante Alighieri nasceu em Florença em 1265 de uma família da baixa nobreza. Sua mãe morreu quando era ainda criança e seu pai, quando tinha dezoito anos.

Pouco se sabe sobre a vida de Dante e a maior parte das informações sobre sua educação, sua família e suas opiniões são geralmente meras suposições. As especulações sobre a sua vida deram origem à vários mitos que foram propagados por seus primeiros biógrafos, dificultando o trabalho de separar o fato da ficção. Pode-se encontrar muita informação em suas obras, como na Vida Nova (La Vita Nuova) e na Divina Comédia (Commedia).

Na Vida Nova Dante fala de seu amor platônico por Beatriz (provavelmente Beatrice Portinari), que encontrara pela primeira vez quando ambos tinham 9 anos e que só voltaria a ver 9 anos mais tarde, em 1283. Nos tempos de Dante, o casamento era motivado principalmente por alianças políticas entre famílias. Desde os 12 anos, Dante já sabia que deveria se casar com uma moça da família Donati. A própria Beatriz, casou-se em 1287 com o banqueiro Simone dei Bardi e isto, aparentemente, não mudou a forma como Dante encarava o seu amor por ela. Provavelmente em 1285, Dante casou-se com Gemma Donati com quem teve pelo menos três filhos. Uma filha de Dante tornou-se freira e assumiu o nome de Beatrice.

Em 1290, Beatriz morreu repentinamente deixando Dante inconsolável. Esse acontecimento teria provocado uma mudança radical na sua vida o levando a iniciar estudos intensivos das obras filosóficas de Aristóteles e a dedicar-se à arte poética.

Dante foi fortemente influenciado pelos trabalhos de retórica e filosofia de Brunetto Latini - um famoso poeta que escrevia em italiano (e não em latim, como era comum entre os nobres), tendo também se beneficiado da amizade com o poeta Guido Cavalcanti - ambos mencionados na sua obra. Pouco se sabe sobre sua educação. Segundo alguns biógrafos, é possível que tenha estudado na universidade de Bologna, onde provavelmente esteve em 1285.

A Itália no tempo de Dante estava dividida entre o poder do papa e o poder do Sagrado Império Romano. O norte era predominantemente alinhado com o imperador (que podia ser alemão ou italiano) e o centro, com o papa (veja mapa).


A Itália, porém, não era um império coeso. Não havia um único centro de poder. Havia vários, espalhados pelas cidades, que funcionavam como estados autônomos e seguiam leis e costumes próprios. Nas cidades era comum haver disputas de poder entre grupos opositores, o que freqüentemente levava a sangrentas guerras civis. Florença era, na época, uma das mais importantes cidades da Europa, igual em tamanho e importância a Paris, com uma população de mais de 100 mil habitantes e interesses financeiros e comerciais que incluíam todo o continente.

A política nas cidades representava os interesses de famílias. A afiliação era hereditária. A família de Dante pertencia a uma facção política conhecida como os guelfos (Guelfi) - representados pela baixa nobreza e pelo clero - que fazia oposição a um partido conhecido como os guibelinos (Ghibellini) - representantes da alta nobreza e do poder imperial. Os nomes dos dois grupos eram originários de partidos alemães, porém os ideais políticos eram um mero pretexto para abrigar famílias rivais. Florença se dividiu em guelfos e guibelinos quando um jovem da família Buondelmonti não cumpriu uma promessa de casamento com uma moça da família Amadei e foi assassinado. As famílias da cidade tomaram partido por um lado ou por outro e Florença se dividiu em guelfos e guibelinos.

Dante nasceu em uma Florença governada pelos guibelinos, que haviam tomado a cidade dos guelfos na sangrenta batalha conhecida como Montaperti (monte da morte), em 1260. Em 1289, Dante lutou com o exército guelfo de Florença na batalha de Campaldino, onde os florentinos venceram os exércitos guibelinos de Pisa e Arezzo, e recuperaram o poder sobre a cidade.

Na época de Dante, o governo da cidade era exercido por representantes eleitos de corporações de operários, artesãos, profissionais, etc. chamadas de guildas. Dante se inscreveu na guilda dos médicos e farmacêuticos e disputou as eleições em Florença, tendo sido eleito em 1300 como um dos seis priores (presidentes) do Conselho da Cidade.

A maior parte do poder em Florença estava então nas mãos dos guelfos - opositores do poder imperial. Mas o partido em pouco tempo se dividiu em duas facções. A causa foi novamente uma rixa entre famílias, desta vez, importada da cidade de Pistóia. Os Cancellieri era uma grande família de Pistóia, descendentes de um mesmo pai que tivera, durante sua vida, duas esposas. A família Cancellieri se dividiu quando um membro desajustado da família assassinou o tio e cortou a mão do primo. Os descendentes da primeira esposa do Cancellieri, que se chamava Bianca, decidiram se apelidar de Bianchi. Os rivais, que defendiam o jovem assassino, se apelidaram de Neri (negros) em espírito de oposição. A briga tomou conta de Pistóia e a cidade acabou sofrendo intervenção de Florença, que levou presos os líderes dos grupos rivais. Mas as famílias de Florença não demoraram a tomar partido e, por causa de uma briga de rua, a divisão se espalhou pela cidade, dividindo os guelfos em negros e brancos.

Depois de criados, os partidos assumiram posições políticas. Os guelfos brancos, moderados, respeitavam o papado mas se opunham à sua interferência na política da cidade. Já os guelfos negros, mais radicais, defendiam o apoio do papa contra as ambições do imperador, que era apoiado pelos guibelinos.

Os priores de Florença (entre eles Dante) viviam em constante atrito com a igreja de Roma que, sob o governo do papa Bonifácio VIII, pretendia colocar toda a Itália sob a ditadura da igreja. Em um dos encontros com o papa, onde os priores foram reclamar da interferência da igreja sobre o governo de Florença, Bonifácio respondeu ameaçando excomungá-los. A briga entre os Neri e Bianchi tornou-se cada vez mais intensa durante o mandato de Dante até que ele teve que ordenar o exílio dos líderes de ambos os lados para preservar a paz na cidade. Dante foi extremamente imparcial, incluindo, entre os exilados, um dos seus melhores amigos (Guido Cavalcanti) e um parente de sua esposa (da família Donati).

No meio da confusão entre os guelfos de Florença, o papa decidiu enviar Carlos de Valois (irmão do rei Felipe da França) como pacificador para acabar com a briga entre as facções. A suposta ajuda, porém, revelou ser um golpe dos Neri para tomar o poder. Eles ocuparam o governo de Florença e condenaram vários Bianchi ao exílio e à morte. Dante foi culpado de várias acusações, entre elas corrupção, improbidade administrativa e oposição ao papa. Foi banido da cidade por dois anos e condenado a pagar uma alta multa. Caso não pagasse, seria condenado à morte se algum dia retornasse a Florença.
No exílio, Dante se aproximou mais da causa dos guibelinos (o império), à medida em que a tirania do papa aumentava. Ele passou o seu exílio em Forlì, Verona, Arezzo, Veneza, Lucca, Pádua (e também provavelmente em Paris e Bologna). Em 1315 voltou a Verona e dois anos depois fixou-se em Ravenna. Suas esperanças de voltar a Florença retornaram depois que o sucessor de Bonifácio VIII chamou à Itália o imperador Henrique VII. O objetivo de Henrique VII era reunir a Itália sob seu reinado. Porém a traição do papa, que ainda alimentava a idéia de ter um império próprio, seguida por uma nova vitória dos Neri e a morte de Henrique VII três anos depois enterraram de vez as suas esperanças.

Na obra La Vita Nuova, seu primeiro trabalho literário de importância, iniciado pouco depois da morte de Beatriz, Dante narra a história do seu amor por Beatriz na forma de sonetos e canções complementadas por comentários em prosa. Durante o seu exílio Dante escreveu duas obras importantes em latim: De Vulgari Eloquentia, onde defende a língua italiana, e Convivio, incompleto, onde pretendia resumir todo o conhecimento da época em 15 livros. Apenas os quatro primeiros foram concluídos. Escreveu também um tratado: De Monarchia, onde defendia a total separação entre a Igreja e o Estado. A Commedia consumiu 14 anos e durou até a sua morte, em 1321, ocorrida pouco após a conclusão do Paraíso. Cinco anos antes de sua morte, foi convidado pelo governo de Florença a retornar à cidade. Mas os termos impostos eram humilhantes, semelhantes àqueles reservados à criminosos perdoados e Dante rejeitou o convite, respondendo que só retornaria se recebesse a honra e dignidade que merecia. Continuou em Ravenna, onde morreu e foi sepultado com honras.
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