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Marco Aurélio Antonino


Marco Aurélio Antonino,(161-180) nascido em Roma, conhecido como o imperador-filósofo. De uma família de grande prestígio: o avô paterno era cônsul e prefeito de Roma, sua avó materna herdou uma das maiores fortunas de Roma e uma tia paterna era casada com Tito Aurélio Antonino, que veio a ser imperador e que o tomou como filho adotivo e um dos seus sucessores. O imperador Adriano anunciou (136) como sucessor Lúcio Cômodo, porém com a morte deste (138), Adriano escolheu Antonino para suceder-lhe, com o compromisso de adotar como filhos dois jovens: Lúcio Vero, filho de Cômodo, e Marco Aurélio. Conviveu assim com a fortuna e o poder e recebeu de mestres gregos esmerada educação humanística. Foi três vezes cônsul e casou-se com a filha do imperador (145), Faustina. Dois anos depois recebeu o imperium e a tribunicia potestas, os maiores poderes formais do império. Com a morte de Antonino (161), assumiu o trono com Lúcio Vero. Comandados por Vero, os romanos lutaram contra os partos (162-166), que haviam invadido a Síria. Embora vitoriosos, na volta trouxeram a peste que dizimou muitos romanos. Enquanto ambos realizavam uma expedição punitiva ao longo do Danúbio (168), hordas invadiram a Itália foi invadida pelos germânicos que sitiaram Aquiléia, porém coma a volta dos governantes os invasores foram derrotados (169). Logo depois Vero morreu subitamente, mas o novo imperador continuou a luta e restaurou a fronteira do Danúbio. Tratou então de pacificar as províncias do Oriente. Visitou Antióquia, Alexandria e Atenas, mas nessa viagem, perdeu a imperatriz Faustina. Dividiu então o governo com seu filho Cômodo (177), com quem retomou as guerras do Danúbio. Morreu em Viena e, apesar das tantas guerras e dos afazeres do governo, foi um homem de fino trato, misericordioso com os inimigos, justo nas suas decisões, além de dedicado profundamente à filosofia. Considerado o mais nobre dos imperadores pagãos, para muitos historiadores seu reinado coincidiu com a idade de ouro do Império Romano. Considerado o último grande estóico da antiguidade, escreveu vasta correspondência e deixou um pequeno e extraordinário livro, Recordações ou Meditações, onde condensou todo seu pensamento. Escrito em grego durante seus momentos de meditação, inclusive durante os intervalos de duras batalhas, um clássico trabalho do estoicismo, era composto de uma série de máximas, sentenças e reflexões, que traduzia como mensagem geral um ato de fé na razão e na coragem ante a adversidade. Ensinava que o ideal a ser buscado não era a felicidade, mas a tranqüilidade e o domínio das paixões e emoções, que seriam obtidos pela harmonia com a natureza e a aceitação de suas leis. Não se pode dizer que foi um pensador original, pois suas idéias se inspiraram claramente no estoicismo de Epicteto, com pequenas nuances do neo-platonismo. Filosoficamente pregava que o homem era constituído de três princípios: o corpo (simples carne), a alma (pneuma) e a mente (princípio superior).
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Santo Alberto Magno


Santo Alberto Magno nasceu no ano de 1206 em Lauingen, na Suabia (atual Alemanha), da família nobre dos Bollsstatt. Os pais mandaran-no a Pádua na Itália, onde fez seus estudos de aperfeiçoamento. Seu desejo era entrar na Ordem dos Pregadores, graça que alcançou por intermédio da SS. Virgem, aquém devotava ternissimo amor. Todos os exercícios religiosos da vida monástica em pouco tempo lhe eram familiares; grandes, podem, eram as dificuldades que encontrava no estudo. A divina Mãe então recorreu, implorando fosse-lhe concedido o dom da ciência. Dizem biógrafos que Maria SS. teria lhe aparecido e lhe conferido dom desejado. com o aviso, porém, que lh'o seria tirado quando se achasse no fim da vida. Tão admiráveis eram em seguida os progressos que fez nas ciências, que em pouco tempo superava todos os seus condiscípulos em sabedoria e ciência. Admirável era a facilidade, a clareza com que sabia explicar as coisas mais difíceis, circunstancia que só podia atribuir a uma comunicação divina. Seu saber abrangia todos os ramos da ciência. Conhecedor profundo das disciplinas teológicas possuía uma intuição inacreditável nas ciências profanas, nos reinos da natureza, de maneira que as experiências que fazia em seu laboratório, eram presenciadas com maior proficiência sobre a astronomia, cosmografia, meteorologia, climatologia, fisica, mecânica, arquitetura, química. Escreveu livros sobre as artes praticas, da tecelagem, da navegação, da agricultura, e outros semelhantes. Suas obras escritas enchem quarenta grossos volumes. Seu saber era de tal forma universal e profundo, que se honrou com o titulo de Magno. Por muitos anos lecionou nos conventos de sua Ordem em Hildesheim, Hatisbona, Stassburgo para depois ocupar o cargo de professor nas universidades de Paris e Colônia.
De todas as partes do mundo então conhecido e civilizado afluíram estudantes, ansiosos de se inscrever nas listas dos alunos de Santo Alberto e os maiores salões mostravam-se insuficientes para comportar os numerosos ouvintes. Entre estes se destacava o grande São Thomas D'Aquino da mesma Ordem Dominicana, a quem profetizou um glorioso futuro. No meio das aclamações dos seus discípulos, Santo Alberto continuou sendo o monge humilde, o modesto pregador do povo, o amigo da oração. Seus escritos testemunhavam grande amor de Jesus Sacramentado e a Mãe de Deus, Depois de 330 anos de sua morte seu corpo foi encontrado sem vestígio de decomposição, por muitos tem sido tomada em testemunho de sua pureza sem macula. Em 1254 foi nomeado Supervisor Provincial de sua Ordem na Alemanha. Nesta qualidade fundou diversos conventos, visitou os já existentes e neles incentivou o espírito religioso. Em todas as suas viagens de visita, que fazia, vivia das esmolas que pedia e lhe davam. A Santa Sé confiou-lhe negócios de maior importância. Alexandre IV, em 1260, nomeou-o Bispo de Radisbona. Em pouco tempo levantou a diocese dos estado precário material e espiritual que se achava, trabalhando sempre, como o Bom Pastor, pela disciplina eclesiástica e reforma dos costumes. Passando dois anos pediu ao Santo Padre a exoneração deste cargo, e voltou para a universidade da Colônia. Septuagésimo recebeu de Urbano IV a missão de pregador da Cruzada na Alemanha e na Bohemia. em 1274 assistiu ao 2º Concilio de Lyão, onde se ocupou na união da Igreja grega com a Latina. Três anos antes de sua morte começou a perder a memória. Afastado assim do magistério, pode concentrar toda a atenção na vida religiosa e na oração. Todo o dia visitava o lugar de sua futura sepultura onde rezava o ofício dos defuntos pedindo a Deus a graça de uma boa morte. Morreu a 15 de Novembro de 1280, cercado dos irmãos de sua Ordem, por eles e pelo povo chorado. Deste há muitos anos venerado como bem-aventurado nos conventos da Ordem dominicana. Pio XI em 1931 canonisou-o dando o título de Doutor da Igreja.
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Abul Walid Muhammad Ibn Achmed, Ibn Mohammad Ibn Ruschd


Abul Walid Muhammad Ibn Achmed, Ibn Mohammad Ibn Ruschd, filósofo, astrônomo jurista árabe, nasceu em Córdoba, em 1125, e morreu no Marrocos, em 1198. Averróes, como é conhecido no ocidente, recebeu a educação alcorânica tradicional em sua cidade natal, onde seu pai e seu avô foram cadi (juiz civil), e desempenhou um papel importante na história política da Andalusia. Dedicou-se à jurisprudência, medicina e matemática, assim como à filosofia e à teologia. Com a idade de 27 anos, Averróes foi convidado pelo governante almoada em Marrakesh para ajudá-lo a estabelecer instutuições educacionais islâmicas. Ibn Tufayl, o grande filósofo muçulmano da corte almoada, apresentou-o ao sultão Abu Yaqub, um príncipe interessado em questões filosóficas e conhecedor de Aristóteles e Platão.

Averróes foi indicado cadi em Sevilha com a idade de 44 anos. Naquele ano ele traduziu e resumiu o livro de Aristóteles, "De Anima", que depois foi traduzido para o latim. Dois anos mais tarde, ele foi transferido para Córdoba, sua cidade natal, onde passou dez anos como juiz naquela cidade. Durante esses dez anos, Averróes escreveu comentários sobre a obra de Aristóteles, inclusive a "Metafísica". Mais tarde foi chamado de volta a Marrakesh para trabalhar como médico do califa.

Durante os governos de Abu Yaqub Yusuf e de seu filho, Yaqub al-Mansur, ele gozou de extraordinária simpatia da corte e execeu diversos cargos importantes em Marrocos, Sevilha e Córdoba. Mais tarde, caiu em desgraça e foi banido juntamente com outros sábios. Um pouco antes de sua morte, o Edito contra os filósofos foi revogado, mas muitos de seus trabalhos sobre lógica e metafísica haviam sido destruídos pelo fogo.

Segundo José Silveira da Costa, em Averróis, O Aristotelismo Radical, "a opinião predominante na história do pensamento islâmico ocidental apresenta Averróes como um grande sábio e filósofo, consagrado à reflexão, ao estudo e à investigação racional, preocupado com a observação direta dos fenômenos naturais e, igualmente, como um muçulmano fiel e um grande trabalhador."

Seus "Comentários", sobre Aristóteles, sua obra filosófica e seus tratados sobre teologia chegaram até nós através de traduçãos latinas e hebraicas. Os "Comentários", que lhe deram o título de "Crítico", são de três espécies: uma pequena paráfrase ou análise, uma exposição breve do texto e uma exposição mais ampla, e que são conhecidas como Comentários Menores, Médios e Maiores, respectivamente. Nenhum deles é de importância para a crítica textual de Aristóteles, uma vez que Averróes, não sendo versado em grego ou ciríaco, baseou toda a sua exposição numa tradução árabe imperfeita da versão ciríaca do texto grego. No entanto, foram de grande importância na determinação da interpretação científica e filosófica de Aristóteles. Seus tratados filosóficos originais incluem: "Destructio Destructiones", uma refutação ao "Destruição dos Filósofos", de al-Ghazali, publicado em latim, em Veneza; dois tratados sobre a união dos intelectos ativo e passivo, também publicado em latim, emVeneza; tratados lógicos sobre as diferentes partes do "Organon", publicado em Veneza; tratados médicos baseados na "Física", de Aristóteles; um tratado em resposta a Avicena; e um outro sobre a concordância entre a filosofia e a teologia, sendo que estes dois últimos só existem os textos em hebraico e árabe.

Averróes foi criticado por muitos sábios muçulmanos por causa da resposta dada a al-Ghazali em "Destructio Destructiones", o qual, no entanto, exerceu uma profunda influência no pensamento europeu, pelo menos até o início da filosofia moderna e da ciência experimental. Suas opiniões sobre destino eram que o homem não tem o controle total sobre seu destino e nem o destino é completamente predeterminado.

Averróes tinha grande consideração por Aristóteles, cuja palavra era para ele a expressão mais elevada da verdade em questões de ciência e filosofia. Nesta admiração exagerada para o filósofo, ele foi muito além do que qualquer outro estudioso.

Averróes defendeu o princípio da verdade em duas partes, afirmando que a religião tem uma esfera e a filosofia tem outra. A religião, dizia ele, é para as multidões incultas; a filosofia para uns poucos escolhidos. A religião ensina por intermédio de sinais e símbolos; a filosofia apresenta a verdade por si mesma. Mas, embora o filósofo perceba que o que é verdade na teologia é falso na filosofia, ele não deve, por causa disso, condenar a instrução religiosa, porque assim privaria o povo do único meio pelo qual ele pode alcançar o conhecimento (simbólico) da verdade.

A filosofia de Averróes, como a de todos os outros filósofos árabes, é uma mistura do aristotelismo com o neo-platonoismo. Nela encontramos a doutrina da eternidade da matéria como um princípio positivo do ser; o conceito de uma multidão de espíritos ordenados hierarquicamente entre Deus e a matéria e a mediação entre eles; a negação da Providência no sentido mais comumente aceito; a doutrina de que cada uma das esferas celestes é animada; a noção da emanação ou extração, como um substituto da criação; e, finalmente, a glorificação do conhecimento místico (racional) como a aspiração máxima da alma humana, em suma,todos os elementos caracterizadamente platônicos e que os árabes acrescentaram ao aristotelismo puro.

O que é peculiar na interpretação que Averróes faz de Aristóteles, é o significado que ele dá à doutrina aristotélica do Intelecto Ativo e Passivo. Seu predecessor, Avicena, ensinou que, enquanto o Intelecto Ativo é universal e separado, o Intelecto Passivo é individual e inerente à alma. Averróis afirma que tanto o Intelecto Ativo como o Intelecto Passivo são separados da alma individual e são universais, isto é, um para todos os homens. Ele acha que Alexandre de Afrodísia estava errado ao limitar o Intelecto Passivo a uma simples disposição e que os "outros comentaristas" (talvez Themistius e Theophrastus) erravam ao descrevê-lo como uma substância individual dotada de disposições; ele afirma, ao invés, que é uma disposição em nós, mas pertencente a um intelecto fora de nós. Os termos passivo, possível e material, são usados sucessivamente por Averróes para designar essas espécies de intelecto, que, em última análise, se prescindirmos das disposições de que ele fala, é o próprio Intelecto Ativo. Além disso, Averróes também fala do Intelecto Adquirido, referindo-se à mente individual em comunicação com o Intelecto Ativo. Portanto, conquanto o Intelecto Ativo seja numericamente um, existem tantos intelectos adquiridos quanto sejam as almas individuais com as quais o Intelecto Ativo estabelece contato. (Os escolásticos falam de um prolongamento do universal com a mente individual, traduzindo literalmente do árabe, que aqui siginifica contiguidade, ao invés de união). O sol, por exemplo, na medida em que é e permanece uma fonte de luz, multiplica-se e se transforma em muitas fontes de luz, e, assim, ilumina muitos corpos; o mesmo acontece com a mente universal e as mentes individuais que entram em contanto com ela. A precariedade desta doutrina, como uma explicação psicológica da origem do conhecimento é não considerar os fatos da consciência, que indicam que não é simplesmente uma disposição individual, e sim um princípio ativo individual, que entra em ação e que se expressa pela palavra "Penso!". Um outro ponto é que deixa sem resposta a questão da imortalidade da alma individual.

Na verdade, Averróes admitia abertamente sua inabilidade em lidar com as bases filosóficas da doutrina da imortalidade individual, satisfazendo-se em mantê-la como um dogma religioso. A maior influência de Averróes foi como crítico. Suas doutrinas tiveram um destino variado nas escolas cristãs. Primeiro, elas asseguram uma certa quantidade de adeptos, depois, aos poucos, sua incompatibilidade com os ensinamentos cristãos tornou-se aparente e finalmente, devido à revolta do Renascimento em relação à Escolástica, elas garantiram, mais uma vez, uma audiência temporária. Seus comentários, no entanto, alcançaram um sucesso imediato e duradouro. São Tomás de Aquino usou o "Grande Comentário" de Averróes como seu modelo, sendo, à primeira vista, o primeiro escolástico a adotar aquele estilo de exposição; e embora rebatesse os erros de Averróes, e tenha dedicado diversos tratados com essa finalidade, ele sempre falava do crítico árabe como um dos que tinha corrompido a tradição peripatética mas cujas palavras, no entanto, deveriam ser tomadas com respeito e consideração. O mesmo pode ser dito sobre as referências de Dante a ele. Foi após São Tomás de Aquino e Dante que Averróes começou a ser apresentado como o "arqui-inimigo da fé".

Um exame cuidadoso de sua obra, no entanto, revela que ele era profundamente religioso. Como exemplo, encontramos em seus escritos que "qualquer um que estude anatomia aumentará sua fé na onipotência e unicidade de Deus, o Todo Poderoso." Em sua obra médica e filosófica,percebemos a profundidade de sua fé e conhecimento do Alcorão e das sunas, que muitas vezes ele cita para amparar seus pontos de vistas em diferentes assuntos. Averróes disse que a felicidade verdadeira para o homem pode ser alcançada através da saúde psíquica e mental e que as pessoas não podem usufruir de uma saúde psicológica se não seguirem os caminhos que levam à felicidade na outra vida, e que acreditem em Deus e na Sua unicidade.

Averróes dizia que o Islam objetiva o conhecimento verdadeiro, que é o conhecimento de Deus e de Sua criação. Este conhecimento verdadeiro também inclui o conhecimento dos vários meios que levam à satisfação mundana e evitam a miséria na outra vida. Este tipo de conhecimento prático abrange dois ramos: (1) a jurisprudência, que lida com os aspectos materiais e tangíveis da vida humana; e (2) as ciências espirituais, que lidam com questões como paciência, gratidão a Deus e moral. Ele compara as leis espirituais à medicina em seu efeito sobre os seres humanos do ponto de vista físico e do ponto de vista moral e espiritual. Ele assinalou que a saúde espiritual é chamada de "taqwa" (temência a Deus) no Alcorão.

Averróes é tido como um dos maiores pensadores e cientistas do século XII. De acordo com Philip Hitti, ele influenciou o pensamento ocidental até o século XVI. Sua obra foi incluída em muitas universidades européias até o surgimento das ciências experimentais modernas.
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Raymond-Claude-Ferdinand Aron


Raymond-Claude-Ferdinand Aron(1905-1983), sociólogo francês, historiador, filósofo e jornalista político. Filho de um jurista judeu, passou seu doutorado em 1930 na École Normale Supérieure com a tese em filosofia da História. Foi professor de filosofia social na Universidade de Toulouse. Quando estourou a II Guerra em 1939, entrou para a Força Aérea Francesa. Após a queda da França, ele juntou-se às forças da França Livre do General Charles de Gaulle em Londres onde editou o jornal La France Libre ("A França Livre"), de 1940 a 1944. De volta ao seu país França tornou-se professor na École Nationale d'Administration, e, de 1955 a 1968 foi professor de sociologia na Sorbonne.

Aron tomou partido contra o movimento estudantil que incendiou Paris em maio de 1968. O movimento era a favor das drogas, da liberdade sexual e homossexual, e desencadeou uma onda planetária de permissividade e enfurecimento dos jovens. Segundo os estudantes, o objetivo do movimento era minar as idéias e valores da burguesia, e contra qualquer um que quisesse sustentar a lei e a ordem, a família e a religião. Era, para eles, a gloriosa tentativa de criar uma nova ordem, um novo mundo, um novo começo na política, na cultura e nas relações pessoais. Nos Estados Unidos, os estudantes forçaram os militares à retirada das forças americanas do Vietnam. No Brasil, levaram ao endurecimento do governo militar.

Em Paris, os baderneiros fluíram para o Quartier Latin, levantaram barricadas, viraram e incendiaram carros, e jogaram garrafas incendiárias na polícia que tentava restabelecer a ordem. Os estudantes eram estimulados por radicais da classe média, principalmente Jean-Paul Sartre e sua amante Simone de Beauvoir, Michel Foucault, Jacques Derrida e Julia Kristeva. Esses intelectuais, - e mais os políticos esquerdistas como François Mitterrand e Pierre Mendes-France -, saudavam os estudantes como "libertadores" que estavam ensinando aos mais velhos uma lição cultural. Um dos poucos a manter a cabeça no lugar foi Raymond Aron, que denunciou a coisa toda como uma grande tolice, uma "insensatez perniciosa"

Confirmando a posição de Aron, nas eleições então convocadas por De Gaulle os franceses derrotaram os rebeldes por uma diferença incomum de votos.

A partir de 1970 Aron foi professor no Collège de France. Toda a sua vida foi um jornalista ativo e a partir de 1947, por 30 anos, um influente colunista do Le Figaro. Deixou o jornal para ser, a partir de 1977, colunista político do semanário L'Express.

Aron sustentava um humanismo freqüentemente confrontado com o existencialismo marxista de seu contemporâneo Jean-Paul Sartre. Gozou de uma posição de autoridade intelectual entre os conservadores e moderados franceses. Entre os seus trabalhos mais influentes estão L'Opium des intellectuels ("O ópio dos intelectuais"), de 1955, que criticava o conformismo de esquerda e as tendências totalitárias dos regimes marxistas. Aron ele próprio tornou-se um forte apoio para a aliança ocidental que se formou após a guerra. Em La Tragédie algérienne ("A tragédia algeriana "), de 1957, ele proclamou seu apoio à independência da Algéria. e na République impériale: Les États-Unis dans le monde, 1945-1972 ("A República Imperial: Os Estados Unidos e o Mundo, 1945-1973"), de 1973, ele atacou a hostilidade obsessiva da esquerda francesa contra os Estados Unidos.

Um tema freqüente nos escritos de Raymond Aron foram as questões da violência e da guerra, como em Paix et guerre entre les nations ("Paz e guerra entre as nações"), de 1962. Também escreveu um importante livro de história da sociologia intitulado Les Étapes de la pensée sociologique ("As etapas do pensamento sociológico"), de 1967. Suas memórias foram publicadas em 1983.
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Aristóteles

Aristóteles, filho do médico Nicômaco, da família dos Ascleopiades que descendiam dos Esculápia, nasceu a 384 a. C. Sua cidade natal Estagia, ficava no litoral setentrional do Mar Ergeu. Durante sua vida teve duas esposas: a primeira foi Pítias, sobrinha do tirano Hermías, governante de Assos, antigo escravo e ex-integrante da Academia Platônica; a segunda foi Herpilis, que deu-lhe o filho Nicômaco.

O jovem Aristóteles, originário da Macedônia, chega a Atenas, centro intelectual e artístico da Grécia, em 367 ou 366 a. C., a procura de oportunidade para prosseguir seus estudos. Encontra naquela época duas grandes instituições educacionais que disputam a preferência dos jovens. Uma dirigida por Isócrates, seguidor da trilha dos sofistas, propunha-se a educar os jovens para a vida democrática ateniense, ensinando-os a arte da retórica. A outra fundada por Platão, em 387 a. C., “mostrava a seus discípulos que a atividade humana, desde que pretendesse ser correta e responsável não poderia ser norteada por valores instáveis, formulados segundo o relativismo e a diversidade das opiniões”, mas sim na investigação científica, “fundada na realidade”. Aristóteles fez opção pela Academia, mesmo sendo advertido de que ali não ingressava “quem não soubesse geometria”.

A condição de meteco de Aristóteles explicava porque não seguiu os passos do seu mestre – Platão – “um pensador político, preocupado com os destinos da Pólis e com a reforma das instituições”. Ele, freqüentador da Academia por vinte anos, dedicou-se a pesquisas biológicas, contrapondo-se ao “matematismo que dominava na Academia”. Seu “espírito de observação e a índole classificadora, típicas da investigação naturalista”, constituiu os traços fundamentais de seu pensamento. Aristóteles, diante das questões políticas, assume atitude de homem de estudo, isolando-se da cidade em pesquisas especulativas, fazendo da política um objeto de estudo e não uma ocasião para agir.

Em 347 a. C. morre Platão. Mesmo tendo uma destacada atuação, Aristóteles não é escolhido para substituir o mestre na direção da Academia.

A partir de 343 a. C. e por vários anos Aristóteles é encarregado da missão de educar Alexandre, filho de Filipe da Macedônia. Em 338 a. C. os macedônicos derrotam os gregos em Queronéia, chegando ao fim a autonomia das cidades-Estados.

No ano de 336 a. C. Alexandre sobe ao trono da Macedônia e inicia a construção de seu grande império, e neste momento Aristóteles retorna a Atenas.

É em Atenas que Aristóteles funda sua escola, próximo ao templo dedicado a Apolo Liceano, que recebeu o nome de Liceu, também chamada de peripatética.

A Escola Peripatética dedicou-se, especialmente, à indagação empírica, naturalista e histórica.

Uma curiosidade sobre Aristóteles. Consta que quando ele estava estudando, segurava em uma dadas mãos uma bola de cobre e se adormecesse cairia em uma bacia de metal, despertando-o.

Com a morte de Alexandre, em 323 a. C., Aristóteles passou a ser perseguido politicamente pelos anti-manedônicos. Ele deixou Atenas e refugiou-se em Cábeis, no sudeste da Ilha de Eueria, onde morreu no verão de 322 a. C., aos 62 anos.

OBRA DE ARISTÓTELES
A Obra de Aristóteles é vasta, foi escrita para dois públicos distintos: uma parte endereçada aos seus discÍpulos no Liceu, os Escritos ditos filosóficos ou científicos; a outra parte destinada à publicação para o grande público, as Obras exotéricas, redigidas em forma mais dialética do que demonstrativa.

Aristóteles dizia que “a filosofia é essencialmente teoria” e que o “homem é uma unidade substancial de alma e corpo”, além de afirmar “que todo movimento implica uma passagem de um estado a outro”.

As principais obras e seus enfoques:

Escritos lógicos: considerava a lógica instrumento da ciência e da filosofia.

Escritos sobre a física: abarcava a cosmologia e a antropologia dentro da filosofia teorética, além da metafísica. Analisava os diversos tipos de movimentos, no espaço e no tempo.

Escritos metafísicos: a metafísica. Esta obra de 14 livros foi editada após a sua morte, a partir de manuscritos sobre a metafísica geral e teológica. A metafísica “ciência do ser como ser, ou dos princípios e das causas do ser e dos seus atributos essenciais”, abrangendo do ser imóvel à Deus. Age a partir de 4 doutrinas: da potência e do ato, da matéria e da forma, do particular e do universal, do motor e da coisa movida.

Escritos morais e políticos: a Ética a Nicômaco, em dez livros; a Ética a Eudemo, inacabada; a Grande Ética, compêndio das duas anteriores, com maior destaque para a Ética a Eudemo; a Política, com 8 livros inacabada. Coloca o Estado como superior ao indivíduo.

Escritos retóricos e poéticos: a Retórica, em 3 livros; Poética, em 2 livros.
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Hannah Arendt


Alemã, Hannah Arendt (1906-1975), nasceu numa abastada e antiga família judia. Sempre resistiu ao título de Filósofa, pois considerava-se, “apenas” uma pensadora. Afirmava que o pensamento deve estar a serviço da vida e não numa encapsulada Filosofia. Teve o privilégio de ser aluna e amiga pessoal de Heidegger, Husserl e de Jaspers, expoentes da corrente filosófica fenomenológico-existencial.

Diferente da ontologia metafísica antiga, cuja origem remonta a Platão, a fenomenologia existencial parte das coisas que aparecem no mundo. Tomemos o seguinte exemplo: a experiência sensível (de onde também parte a razão científica) nos permite constatar se alguém está ou não morto. Já o conceito da morte em si, cabe à metafísica. Arendt se debruça sobre os fenômenos em seus modos de aparição na existência mundana pois, para a fenomenologia “ser” e “aparecer” coincidem.

Em 1933, Hitler toma o poder e Hannah Arendt, judia, vê ruir a possibilidade de lecionar nas universidades alemãs. Perseguida pelo nazismo, passa a viver como apátrida, em exílio. Essas circunstâncias são extremamentes relevantes para a compreensão das obras desenvolvidas em sua vida: meditações filosóficas, análises de teorias políticas e tentativa de explicar os inusitados e nefastos rumos de seu tempo.

Em 1951, com “Origens do Totalitarismo” (termo cunhado por ela que significa governo, país ou regime que centraliza todos os poderes políticos e administrativos, proibindo a atuação de quaisquer outros partidos ou grupos políticos) detém-se a analisar de modo sistemático esse fenômeno inédito, que não se enquadrava nas categorias tradicionais das ciências políticas.

Arendt testemunha o antigo e complexo enlace entre moral e política (vide artigo “A Lei Divina (Thémis) e a Lei dos Homens (Diké) em Antígona, disponível nesse site) vexatória e desumanamente rompido nos tempos em que viveu; revela a necessidade de recuperar a dignidade da política como atividade (práxis) fundamental da vida em comum.

Com base numa antropologia filosófica, responderá sobre em que condições um universo totalitário é possível. Filósofa do real (existencialista), Arendt tomará por objeto de estudo a vida ativa (que atua, age no mundo e não a contemplativa, tradicional na Filosofia) vendo-a por três modalidades de atividades fundamentais do homem na cultura: trabalho, obra e ação.

Sobre o trabalho, atesta ser uma atividade indefinidamente repetitiva e voltada exclusivamente para satisfação e preservação das necessidades vitais humanas. O trabalho em si é, portanto, produção de tudo o que é perecível.

Quanto ao que denominou “obra”, cabe a produção de bens duráveis, artefatos e objetos que não são aniquilados assim que consumidos. Mas mesmo essa “durabilidade” é relativa e está sujeita/submetida à utilidade e ao ciclo dos meios e dos fins.

Somente a ação é, em suas palavras, “a única capaz de transcender o ciclo da necessidade vital e da cadeia infinita dos meios e dos fins. Inseparável da palavra, a ação é revelação do homem, num espaço público de surgimento [pólis] em que cada um é visto e ouvido por todos”.

Em sua obra “A condição humana” (1958), observa que “estar isolado é estar privado da capacidade de agir”. Mesmo não sendo privilégio exclusivo do ator político, a ação humana enseja a constituição de um espaço público (distinto do âmbito privado) por onde se estende toda a vasta rede de relações/atuações humanas. A ação se dá no espaço público. Por outro lado, a ação que se dá no espaço público não pode perder a conotação individual. Em verdade, não agimos quando somos levados pelo coletivo que se manifesta através de nós. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Ética pós-moderna” alerta que, “Na multidão, somos todos iguais. Andamos juntos, dançamos juntos, nos acotovelamos juntos, ardemos juntos, matamos juntos”.

Não há porque agirmos como marionetes guiadas por determinismos históricos ou de qualquer outra ordem. A liberdade está em nosso poder de criar o novo: “O começo é a suprema capacidade do homem; politicamente, equivale à liberdade do homem” (Origens do Totalitarismo).

Transformar as diferenças em monotonia (unidade) é a tentação permanente das sociedades totalitárias. O nazismo e o comunismo foram as expressões máximas desse desejo de unidade.

Em 1963, a serviço do The New Yorker, imbuída de compreender o que leva um ser humano a, estupidamente, recusar-se a pensar, a refletir sobre seus atos (uma das causas que levam a se perder o individual), Hannah Arendt parte para a cobertura jornalística do julgamento do general Karl Adolf Eichmann, um dos responsáveis pelo planejamento e execução de milhões de judeus. Publica Eichmann em Jerusalém. A obra surpreende ao revelar suas impressões: o responsável por tantas atrocidades não era nenhum demônio encarnado (o que lhe rendeu incompreensão e severas críticas da própria comunidade judaica). Tratava-se de uma pessoa absolutamente “normal”, um típico burocrata, manipulado pela ideologia alemã, um mero executor de ordens que zelava por seus deveres e pelo cumprimento de seu trabalho.

A perversidade do sistema totalitário cria pessoas destituídas da mínima capacidade de distinguir o bem do mal, de atentar para as conseqüências de suas ações, pois encobrem-se no coletivo. Cegos, buscam, unicamente, ascender socialmente no exercício de suas profissões sem questionar o éthos do que lhes compete.

Hannah Arendt apontou para a necessidade de refletirmos sobre o fato de que regras arbitrariamente preestabelecidas nos tornam incapazes de gozar das faculdades básicas do espírito individual, seqüestrando nossa liberdade. Ao negar ao homem a liberdade de pensar, refletir, julgar e escolher, fomentamos a existência do totalitarismo.
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Tomás de Aquino


Filósofo e teólogo italiano. A sua obra marca uma etapa fundamental na escolástica. É ele que prossegue e conclui o trabalho de Alberto Magno. Monge dominicano ficou conhecido como o «doutor angélico». Em 1879, as suas obras foram reconhecidas como sendo a base da teologia católica. A filosofia de Tomás de Aquino é conhecida como tomismo.

Nasceu em Roccasecca, próximo de Cassino, no reino de Nápoles, a sul de Itália, na família dos condes de Aquino. Iniciou a sua educação na abadia de Montecassino. Em 1243, em Nápoles, ingressa na ordem dos dominicanos. Estuda pouco depois com o erudito alemão Alberto Magno em Paris(1243-1248) e em Colónia(1248-1252). Volta a Paris, em 1252, iniciando os seus comentários da Bíblia. Começa a ensinar nesta cidade, sendo nomeado mestre da Universidade em 1257, dois anos depois regressa a Itália. Em 1265 é encarregado de de organizar os estudos da Ordem dos Dominicanos em Roma. Em 1269 volta a Paris ocupando a sua cátedra de mestre de teologia. Em 1272 voltará ainda a Itália para ensinar na Universidade de Nápoles. Morreu em 1274 quando se dirigia ao Concílio de leão.

Obras

Exposição sobre o Credo; O Ente e a Essência(1248-1252); Compêndio de Teologia (1258-1259); Suma Contra os Gentios; Comentário às Sentenças; Suma Teológica; etc.

Principais Domínios de Investigação
A obra de Tomás de Aquino é imensa, destacando-se todavia as Sumulas. Na Suma Contra os Gentios, defende a compatibilidade entre a razão e a fé. Procurou conciliar a filosofia aristotélica com os princípios do cristianismo, em oposição à tendência que predominava na época e que adoptava um cristianismo de inspiração neoplatónica. Na Suma Teológica trata da natureza de Deus, da moralidade e da missão de Jesus. Nestas e outra obras deu corpo à visão cristã do mundo que foi ensinada nas universidades até aos meados do século XVII, e nas quais se incluíam as ideias científicas de Aristóteles.

Tomás de Aquino trabalhou as obras de Aristóteles a partir de novas traduções latinas produzidas pelo dominicano Guilherme de Moerbeke (1215-1286). A influência de aristóteles é tão notória na sua filosofia que esta é também designada como aristotelismo cristão. Para além de Aristóteles tomou como fonte inspiração os trabalhos de Santo Agostinho, Avicena, Averróis e dos neoplatónicos.
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Antístenes

Antístenes (440 - 365 a.C.)

Fundador da Escola Cínica, Antístenes foi discípulo de Sócrates e destacou das teorias deste em especial as práticas morais como o autodomínio a auto-suficiência a força de ânimo e a capacidade de superar as dificuldades como o cansaço.

Para ele não existe uma simples definição das coisas, o que acontece é que nós conhecemos as coisas através da nossa percepção e vamos descrever essas coisas através das relações de semelhança que elas tem com outras coisas. Descrevemos os traços comuns entre as coisas através de analogias. Para podermos fazer uma descrição mais complexa das coisas o que fazemos é descrever cada um dos elementos de que são constituídas.

Antístenes levou ao extremo uma das idéias de Sócrates que é a da auto-suficiência. O homem deve bastar-se a si mesmo, isso é, não depender dos outros para nada ou para o mínimo possível, as pessoas em sua auto-suficiência precisam não ter necessidade de nada de que venha de outras pessoas.

Além da auto-suficiência Antístenes radicaliza também o conceito de autodomínio proposto por Sócrates. O ser humano tem que dominar além dos prazeres as dores. Antístenes vê o prazer como um mal e dele temos que nos separar sempre e de qualquer forma. A busca pelo prazer e o prazer em si tira das pessoas o controle que elas tem delas mesmas. O homem deve portanto combater os impulsos que o levem a buscar prazer e se separar das riquezas que o acomodam a uma vida fácil.

A glória e a fama são para Antístenes ilusões criadas pela sociedade e que destroem a liberdade das pessoas fazendo com que se tornem escravas dessas ilusões. Para ele a pessoa sábia deve viver segundo as regras da virtude e não segundo as regras da sociedade. O homem para libertar-se dessas ilusões deve afastar-se das relações sociais e buscar em si mesmo algo que lhe baste, a virtude.

É creditada também a Antístenes uma grande valorização do trabalho o que em sua época vai contra o senso comum de que o trabalho é algo negativo e que inferioriza o homem. O homem digno encontra sua dignidade no trabalho que está diretamente ligado a busca da virtude. O modelo era Hércules que em seus trabalhos superou grandes fadigas e venceu monstros tornando-se símbolo da sabedoria cínica por superar os prazeres e vencer as dores demonstrando sua auto-suficiência e a força do seu ânimo.

O fim do homem é a felicidade e o homem alcança a felicidade vivendo na virtude que é suficiente em si mesma. A virtude é o bem maior e os prazeres só fazem afastar os homens da virtude fazendo com que se distanciem da felicidade.

Sentenças

- Observe o teu inimigo porque é ele que primeiro vê teus defeitos.
- Eu prefiro enlouquecer a sentir prazer.
- Os corvos devoram os mortos e os aduladores devoram os vivos.
- As paixões têm causas mas não tem princípios.
- Não imagine que os outros tem tanto desejo de te escutar como você tem de falar.
- A gratidão é a memória do coração.
- Devemos converter nossa alma em uma fortaleza inexpugnável.
- A virtude é mesquinha nas palavras; o vício fala sem parar.
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Anaxímenes de Mileto


O terceiro filósofo da "escola milesiana" foi Anaxímenes de Mileto (gr. Αναξιμένης), que viveu entre -585 e -525 e fez importantes contribuições à filosofia da natureza e à astronomia. Assim como se dá com os demais milesianos, praticamente nada sabemos a respeito de sua vida.

Pensamento
Para ele, o princípio fundamental (gr. ἀρχή) da Natureza era o ar, e a própria alma era constituída de ar. A rarefação ou condensação dessa substância primordial produzia as transformações do mundo e até mesmo o calor e o frio eram determinados por esses fenômenos (frio = condensação; calor = "afrouxamento" do ar). Na astronomia, concebeu um sistema geocêntrico para a posição relativa dos corpos celestes.

Constribuições à Astronomia
Anaxímenes de Mileto (-585/-525) achava que a Terra, o Sol, a Lua e os demais corpos celestes eram planos e flutuavam no ar. Além disso, todos os corpos celestes haviam se originado da Terra e se moviam em torno dela (sistema geocêntrico).

Fragementos, edições e traduções
Os fragmentos de Anaxímenes e as passagens doxográficas foram reunidas por Mulach (1923) e Diels-Kranz (61951), notadamente; mais prática é a antologia crítica de Kirk, Raven e Schofield (11957, 41994), que existe em tradução portuguesa.

Os fragmentos e a doxografia foram traduzidos para o português por Eudoro de Souza e por Gerd Bornheim, na década de '60. Nessa mesma época, os fragmentos foram também traduzidos por José Cavalcante de Souza e os trechos doxográficos, por Wilson Regis.
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Anaximandro


Quase nada conhecemos da sua vida mas sabemos que foi discípulo, seguidor e sucessor de Tales de Mileto. Anaximandro pensava que nosso mundo é somente um entre diversos outros mundos que irão se desenvolver, evoluir e se desintegrar em um processo infinito. Nosso cosmos, um entre os infinitos que existiram e os infinitos que virão, iniciou-se com os contrários principais que são o frio e o calor. Uma idéia muito parecida de como alguns físicos modernos concebem a teoria do Big-Bang.

Anaximandro estudou e escreveu sobre geografia, astronomia, matemática e política, mas um dos seus principais escritos intitulado Sobre a Natureza não chegou até nós. Existem somente relatos dele. Esta obra é o primeiro escrito filosófico do ocidente. Anaximandro é considerado o fundador da astronomia na Grécia pois mediu a distância entre as estrelas e o tamanho das mesmas. Ao que parece ele iniciou o uso do relógio solar na Grécia e desenhou um mapa do mundo conhecido na época.

Para ele a água não era o princípio de todas as coisas como defendia Tales, assim como nenhum dos quatro elementos fundamentais: terra, fogo, ar e água. Mas tudo começava com o que ele chama de a-peiron, que é o infinito na qualidade e na quantidade. O a-peiron não surgiu de nada mas existe e não tem fim. E justamente por ser infinito em extensão e profundidade pode gerar todas as coisas. Muitos identificam esse infinito com o divino pois é imortal e não pode ser destruído. Aqui a imortalidade não é somente algo que não tem fim mas também algo que não tem começo. Neste ponto Anaximandro destrói as bases das crenças nos deuses gregos. Estes não tinham fim mas tinham começo, eles nascem em um determinado tempo. Anaximandro no entanto não acreditava em nenhum Deus. Para ele as seqüências de se criar desenvolver e destruir eram fenômenos naturais que aconteciam quando a matéria abandonava e se separava do a-peiron. O a-peiron era a realidade inicial e final de todas as coisas e por conseqüência continha em si toda a natureza divina.

Mas ele vai além, ele se questiona também de como e porque as coisas se formam do a-peiron. Para ele es coisas se constituem através de uma eterna luta entre contrários, onde algo não pode existir enquanto existe também o seu contrário. O mediador desta eterna luta é o tempo, que permite que ora exista um e ora exista o seu contrário. Esses contrários podem ser observados na natureza calor, frio; úmido, seco; claro, escuro, etc. E é o tempo que vai colocar limites para a existência destes contrários.

Anaximandro acreditava que a terra tinha a forma cilíndrica e era circundada por diversas rodas cósmicas que eram imensas e de fogo. A terra ficava suspensa sem que nada a sustentasse o que a conservava desta forma era a igual distância entre todas as partes. Existe um equilíbrio entre as diversas forças que atuam sobre a terra. Para ele o sol é que fez que do líquido do lodo marinho nascessem os primeiros seres vivos. Esses seres marinhos aos poucos foram se desenvolvendo em seres mais complexos. O homem teria se formado inicialmente dentro de alguns peixes. Ali ele se desenvolveu e foi expulso quando cresceu de tamanho o suficiente para manter-se a si mesmo.

Hoje muitos cientistas se admiram com estas antecipações, embora simplistas, de muitos conhecimentos posteriormente comprovados pela ciência:
- Para ele a terra se sustenta através do equilíbrio das diversas forças que atuam sobre ela, o que é parecido com a força da gravidade e com a força centrípeta que é o que mantém a Terra girando em torno do Sol.
- Anaximandro acreditava que os opostos se excluíam. O que é muito parecido com a teoria moderna de que logo após o Big-Bang foram criadas matéria e anti-matéria que se anulam quando se encontram.
- Ele acreditava que o sol agia sobre a água e gerava os seres e estes seres depois se deslocaram para a terra e foram se tornando mais elaborados conforme se desenvolviam. Esse pensamento é muito parecido com a teoria da evolução das espécies.
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Anaxágoras


Anaxágoras (gr. Ἀναξαγόρας) foi o principal responsável pela introdução da filosofia pré-socrática em Atenas e, consequentemente, por sua difusão entre os intelectuais atenienses. Exerceu influência em Sócrates e, naturalmente, em Arquelau, seu mais importante seguidor.

Vida e obra
Nasceu em Clazômenas, pólis da costa ocidental da Ásia Menor, por volta de -500 e, vinte anos depois, mudou-se para Atenas, onde se tornou amigo de Péricles (-495/-429); lá viveu cerca de trinta anos, ensinando filosofia. Suas idéias avançadas e sua amizade com Péricles valeram-lhe algumas antipatias e um processo de "impiedade" forçou-o a refugiar-se em Lâmpsaco, na Jônia, onde continuou a ensinar (c. -432). Faleceu pouco depois, nessa mesma pólis, mais ou menos em -428.

Escreveu, segundo a tradição, um livro denominado Da Natureza, em prosa, do qual restam cerca de vinte fragmentos.

Pensamento
Embora possa ser considerado herdeiro intelectual dos filósofos milesianos, Anaxágoras pensava de forma radicalmente diferente em relação à estrutura do universo. Postulava que, ao invés de elemento primordial unitário, várias substâncias diferentes compunham a totalidade do espaço existente. Cada elemento constituinte seria, portanto, fundamental em si mesmo e a matéria constituída pela combinação desses elementos era infinitamente indivisível.

A força que movia o universo era o Espírito (gr. νόος ou νοῦς, i.e. "pensamento", "espírito", "inteligência"), ilimitado, isolado e separado de tudo o mais. O Pensamento teria gerado um turbilhão primordial que, ao se alastrar e se movimentar pelo caos ("vazio") precedente, forçou certas entidades a se diferenciarem, como o denso do rarefeito, o quente do frio, o seco do úmido. Nada teria sido criado ou destruído: as coisas surgiram e desapareceram a partir da combinação e da dispersão daquilo que já existia.

Cada porção do mundo material conteria, em princípio, todos os componentes encontráveis nas outras partes (homeomeria). É a preponderância de certas entidades, a partir de "sementes" cujos elementos constituintes estariam inextrincavelmente misturados, que explica as características que diferenciam as coisas existentes. Um pepino e uma pedra teriam, portanto, os mesmos componentes básicos, mas em diferentes proporções.

O corolário desse conceito é que, mesmo dividindo-se infinitamente qualquer porção do mundo material, a menor porção possível conteria, ainda, todas as substâncias consituintes do universo, na proporção (preponderância) necessária para individualizá-la das demais.

Contribuição à Biologia
Anaxágoras achava que os animais nasciam primeiro da umidade, assim como Anaximandro, e estudou também as sensações. Acreditava que as coisas, para serem perceptíveis, devem ter uma composição contrária à dos órgãos dos sentidos, i.e., a percepção se dá entre coisas dessemelhantes. Nesse aspecto, ele se opunha a Empédocles, que defendia a percepção do semelhante pelo semelhante.

Postulou também que o ar contém "sementes" de todas as coisas, e que elas são trazidas à terra pela chuva, originando, por exemplo, as plantas.


Contribuição à Astronomia
Anaxágoras acreditava que a Terra era oca, tinha forma plana e se mantinha suspensa, sem apoio. O Sol, que era "maior que o Peloponeso", a Lua e todos os astros eram pedras incandescentes e seu calor não era percebido por estarem eles muito longe da Terra. Os astros, em sua revolução, passavam por baixo da Terra. A Lua era feita de terra, ficava abaixo do Sol e era o corpo celeste mais próximo de nós e não tinha luz própria; assim como Empédocles, ele acreditava que a luz da Lua vinha do Sol.

Os eclipses da Lua eram devidos ao fato dela ser ocultada pela Terra; os do Sol, pela interposição da Lua na fase de Lua Nova.

Fragmentos, edições e traduções
A doxografia provém, principalmente, de Platão, Aristóteles e Teofrasto. Os fragmentos foram conservados, em sua maioria, por Simplício (séc. VI).

A primeira edição moderna de todos os fragmentos é a de Schaubach (1827); depois, vieram as de Schorn (1829), Karsten (1835) e Mullach (1860); atualmente, a edição "padrão" é a de Diels e Kranz (61951).

A primeira tradução para o português é a de Gerd Bornheim (São Paulo, 1967), seguida pelas de Maria Cavalcante (São Paulo, 1973) e Carneiro Leão (Petrópolis, 1991).
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Pedro Abelardo ou Pierre Abélard [ou Abailard ou em latim Abelardus]


Pedro Abelardo ou Pierre Abélard [ou Abailard ou em latim Abelardus]
(Teólogo e filósofo francês)
1079 - 1142

Teólogo e filósofo francês, nascido em Le Pallet, perto de Nantes, considerado um dos maiores intelectuais do século XII com especial importância no campo da lógica, e precursor do racionalismo francês. Filho de um militar, foi discípulo de Roscelino de Copiègne e de Guilherme de Champeaux em Paris e de Anselmo de Laon (c.1070-1171). De vida atormentada e irrequieta, depois de algumas tentativas de ter sua própria escola a partir dos 22 anos, foi professor na Escola de Notre-Dame (1114-1118), primeira universidade livre da França, onde combateu as idéias de Guilherme, obrigando-o a modificá-las. No Concílio de Soisons (1121), algumas de suas teses foram condenadas e no Concílio de Sens (1410), outras foram rejeitadas e foi acusado de heresia. Foi nessa época que começou sua ligação amorosa com sua aluna de nome Héloise (1100-1164), sobrinha do cônego Fulbert, de desastrosas conseqüências . Após se apaixonar e casar secretamente, foi atacado e castrado por ordem do irado tio. Depois disto ele se tornou monge no mosteiro de Saint-Denise, onde continuou lecionando, e ela freira em um convento de Argenteuil, onde se tornou uma as mulheres mais famosas de sua época. Após o infeliz castigo, mesmo como monge, ele não deixou de ser polêmico e colecionou atritos com outros religiosos como bispos e até mesmo com seus colegas monges, criando muitos inimigos. Morreu na prelazia de Saint-Marcel, perto de Châlons-sur-Saône, onde viveu seus últimos dias de vida, sob a proteção de Pedro o venerável de Cluny. Suas obras abrangiam três áreas: lógica, teologia e ética. Em seu primeiro e mais famoso livro Sic et non (1121-1122) já demonstrava sua polêmica personalidade: nele descreveu sobre 158 questões filosóficas e teológicas que dividiram opiniões. Também merecem destaque Glosas literais, Lógica nostrorum, Logica ingredientibus, Dialectica (a mais polêmica), Theologia summi boni, Commentaria in epistulam Pauli ad romanos, Expositio in hexaemeron e Ethica seu scito te ipsum e uma autobiografia Historia calamitatum (História de minhas desventuras.
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Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno


Este renomado intelectual alemão, Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno, nascido em Frankfurt, no dia 11 de setembro de 1903, formou-se em filosofia, sociologia, psicologia, e tornou-se também musicólogo e compositor, graduando-se na Universidade de Frankfurt. Posteriormente fundou, ao lado de Max Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse e Jürgen Habermas, entre outros, a célebre Escola de Frankfurt.

Seu pai, Oscar Alexander Wiesengrund, era um alemão de procedência judaica, porém convertido à religião protestante, enquanto sua mãe, a italiana Maria Bárbara Calvelli-Adorno, dedicava-se à música erudita e professava o catolicismo. Mais tarde o filho adota o sobrenome materno, passando a ser conhecido como Theodor W. Adorno.

Sua formação musical foi, em parte, realizada com sua meia-irmã pelo lado de mãe, Agathe, primorosa pianista. Além de se sobressair nos estudos desenvolvidos no Kaiser-Wilhelm-Gymnasium, freqüentou um curso particular com o compositor Bernhard Sekles e tornou-se especialista no filósofo Immanuel Kant, graças às aulas oferecidas por seu camarada Siegfried Kracauer, um ‘expert’ na Sociologia do Conhecimento.

O empenho intelectual de Adorno o levou a defender, já em 1924, sua tese sobre a fenomenologia de Edmund Husserl. Antes mesmo de se formar ele se torna amigo de Walter Benjamin e de Max Horkheimer, seus futuros companheiros de militância intelectual e política. Sua trajetória intelectual tem início em 1933, quando lança sua tese sobre Kierkegaard. Outro contato importante no universo filosófico é com o principiante Lukács, em 1925. As primeiras publicações deste filósofo alemão – A Teoria do Romance e História e Consciência de Classe -, mais tarde rejeitadas por ele, para completa desilusão de Adorno, influenciam profundamente sua produção acadêmica, sustentando seus ideais e os rumos de sua mente brilhante. Benjamin também deixa marcas fundamentais no pensamento adorniano, que se identifica plenamente com os conceitos desenvolvidos pelo amigo.

Futuro crítico contundente dos meios de comunicação de massa, ele percebe, nos seus anos de exílio nos Estados Unidos, serem eles peças essenciais da engrenagem que alicerça a indústria cultural. Esta criação do Capitalismo molda a mentalidade dos que a ela aderem inconscientemente, semeando o conformismo e a resignação na população que se encontra inerte diante de um sistema implacável que desfigura a essência do ser.

Adorno foi mais um dos adeptos da Escola de Frankfurt que, durante o processo de nazificação da Alemanha, foi obrigado a se refugiar na América, por ser de ascendência judaica e também por sua vocação para o socialismo. Depois de uma passagem pela Suíça, ele atendeu a um convite de Horkheimer para trabalhar na Universidade de Princeton. Sua impressão sobre os Estados Unidos não foi das melhores. Sofisticado intelectual europeu, incomodou-o profundamente o ar de uniformização presente em tudo, a despeito dos conceitos norte-americanos de individualidade e do cultivo das diferenças.

Este universo regido pelos interesses, pelo lucro e pelas conveniências o levou a uma reflexão mais atenta sobre a massificação da cultura. Inclinado a compreender esse paradoxo americano, ele estuda a fundo a mídia dos EUA, e descobre sob a aparente liberdade apregoada pelo ‘American Way of Life’, uma ideologia padronizada que a tudo perpassa, com a intenção de sujeitar a massa apática, induzindo-a ao consumismo e à submissão ao sistema.

Com o término da Segunda Guerra, Adorno professa a volta do Instituto de Pesquisa Social para Frankfurt, juntamente com seus membros. Após a aposentadoria de Horkheimer, Adorno assume sua diretoria, na década de 50. Pouco antes de sua morte, em 6 de agosto de 1969, ele assumiu uma posição controvertida diante dos rebeldes do movimento estudantil que, em 31 de janeiro deste mesmo ano, pretendiam suspender sua aula para darem seqüência aos protestos que se espalhavam pelas ruas da Europa. Surpreendentemente ele recorreu á polícia para reprimir as manifestações, o que causou um mal-estar entre ele e os estudantes, além de o contrapor ao seu antigo companheiro, Marcuse, que se aliara aos alunos nos movimentos que se alastravam pelo continente europeu. Adorno parte sentindo-se aviltado pelos adeptos de uma esquerda para ele considerada ultra-radical.
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